Oresteia de ésquilo

Páginas: 5 (1186 palavras) Publicado: 21 de fevereiro de 2013
Na Ilíada Homero descreve a guerra de Tróia enquanto em sua obra Oresteia, Ésquilo trata, em uma trilogia, do retorno de Agamémnon, comandante vitorioso dos Gregos naquela empreitada, para casa após dez anos de ausência. Não obstante Agamémnon não terá uma recepção vitoriosa, mas encontrará a morte pelas mão de sua própria esposa, Clitemnestra, a qual planeja matá-lo devido ao fato dele haversacrificado a própria filha de ambos, Ifigênia aos deuses a fim de obter ventos favoráveis que levassem a frota grega até Tróia. No seguimento o filho de Agamémnon e Clitemnestra, Orestes, instigado por sua irmã Electra, desfecha uma nova vingança cometendo o matricídio em represália pela conduta da mãe ao eliminar Agamémnon. Devido a esse crime Orestes passa a ser perseguido pela Fúrias (criaturasterríveis metade aves de rapina e metade mulheres, às quais compete vingar os crimes de sangue tal qual o matricídio). Prestes a ser executado pelas Fúrias, ocorre a intervenção da deusa Atena que substitui "o primitivo e interminável ciclo de retribuição e vingança privada e contravingança por um sistema de justiça baseado na lei e nos tribunais públicos". Orestes acaba sendo perdoado e as Fúriasse transformam em Euménides, "espíritos que presidem à imposição da lei civilizada". [09]
A mensagem enviada muito claramente pela narrativa mitológica de Ésquilo é a de que a brutalidade, o assassinato, as execuções sumárias e a própria guerra não devem ser os meios para solução dos conflitos individuais e grupais. É preciso pensar um sistema racional e equilibrado para tratar desses conflitoscom justiça e imparcialidade. Ésquilo inicia com a referência à guerra de Tróia conhecida por seus sangrentos combates onde heróis valorosos perderam a vida. Ora, a referência é oportuna, já que a guerra pode certamente ser encarada como uma verdadeira negação do Direito. [10] Se no âmbito externo ou grupal a guerra é a negação do Direito e a opção pela força para a solução dos conflitos, no âmbitointerno ou individual a vingança privada ou a contravingança pública e sumária representada pelas Fúrias é também uma negação do Direito.
Portanto, na dicção de O’Hear, "o final da Oresteia constitui, naturalmente, um refazer dos mitos antigos, apresentando a fundação dessa instituição ateniense que são os tribunais – e portanto das deliberações racionais e humanizadas". [11]
Sabe-se que atransição da vingança privada e das execuções sumárias para um novo sistema de Justiça Pública com apropriação dos conflitos e monopólio da jurisdição e do direito de punir não se operaria de forma branda e isenta de resistências. No âmbito internacional, por exemplo, até hoje não se pode afirmar que haja um sistema capaz de conter a solução dos conflitos entre nações pelo uso primitivo da forçarepresentado pelo recurso à guerra. [12]
Não é sem razão, portanto, que Ésquilo descreve a indignação das Fúrias pela retirada de seus poderes de vingança imediata, somente sendo aplacadas e convencidas por Atena com a ajuda da deusa Peithô (que simboliza a persuasão). Apenas assim as Fúrias concordam em tornar-se as Euménides que terão doravante a missão de fazer respeitar as leis da "polis".Realmente a apropriação dos conflitos pelo Estado através das instituições policiais e judiciais que se vão conformando ao longo da história redundam na supressão de um direito de vingança privada e ilimitada até então vigente. No lugar desse direito deve surgir outro, e este é nada mais nada menos do que aquilo que hoje designamos por um "direito ao acesso à jurisdição". Ora, se as pessoas não podemmais fazer valer por si mesmas seus direitos por meio de execuções sumárias e vinganças privadas, devem ter o recurso a um órgão encarregado da solução desses conflitos. Esses órgãos públicos devem ser dotados de força que lhes confira poder de coação, mas também devem agir dentro de um comedimento e nos termos da lei.
A sociedade não prescinde das suas Fúrias, mas "sua ira deve ser temperada"....
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