odette ferreira

Páginas: 5 (1163 palavras) Publicado: 17 de setembro de 2014
Já é professora quando, nos anos 70, deixa a vida de «princesa» e vai para Paris. Estuda e investiga sempre a “esticar” o magro dinheiro da bolsa. Em Lisboa, deixa os filhos e o marido. Estamos no início dos anos 80 quando Portugal salta para a ribalta científica: Odette Ferreira isola e identifica o vírus da imunodeficiência humana (VIH) tipo 2.
 
No bar da Faculdade de Farmácia daUniversidade de Lisboa (FFUL), Odette Ferreira olha, com uma expressão ternurenta, os rituais da entrada dos caloiros. Em fila indiana, atados uns aos outros por uma corda, dezenas de novos alunos seguem as instruções dos veteranos. Odette Ferreira tem mais de 70 anos, mas não parece. Muito direita, elegantemente vestida, guarda a juventude na postura e no olhar. Com simpatia, dispõe-se a mostrar todos oscantos daquela grande casa, enquanto explica a história da Faculdade que ajudou a erguer. 
 
Até à década de 70 foi mãe quase a tempo inteiro e analista clínica. Depois, quando a revolução de Abril 1974 trouxe mais liberdade às Universidades, Odette regressou para iniciar uma carreira académica. Ao mesmo tempo que o país vivia um período político conturbado, Odette começa a encetar a sua“revolução pessoal”. A Faculdade de Farmácia de Lisboa carece de assistentes. Odette possui já uma vasta experiência prática e é convidada para assistente das cadeiras de Microbiologia e Bioquímica.
 
Em 1974 passa a ser responsável pelo Departamento de Microbiologia da FFUL, cargo que mantém até 1995. Com o poder de um verdadeiro “furacão”, quer mudar tudo. Começa pelos métodos de ensino: “As aulaspráticas eram muito rígidas, com regras severas, onde os alunos quase não podiam mexer nos tubos de ensaio”. Odette revoluciona o esquema académico. “Exigi aulas práticas com poucos alunos para que pudessem mexer em tudo». Resultado: «Aulas onde não cabia mais ninguém”, relembra.
 
Mudar de vida
 
Enquanto se dedica à faculdade, Odette aceita, de novo, mais um desafio: Ingressar no Instituto Pasteur,em Paris, “onde existia tecnologia da mais avançada”.
 
Em Lisboa deixa o marido e os filhos. A decisão é tomada “com muito custo”, diz, porque afinal, “não era apenas uma aposta na minha carreira. Como mulher, ia ficar muito diferente...” Odette admite ter dado um passo muito ousado. “Eu estava habituada a um estilo de vida completamente diferente do que ia viver em Paris. Era mãe e mulherquase a tempo inteiro. Fazia os bolos para os filhos, para o marido. A mesa era sempre posta com todos os requintes de etiqueta. Não saía sozinha... o meu marido levava-me de carro para todo o lado”.
 
“Depois de ter explicado ao meu marido que ou ia para a frente e seguia uma carreira académica, ou não, e esquecia tudo, ele acabou por ceder. E fui.” Sempre ligada à família através do telefone,Odette afirma que durante todo esse tempo rejuvenesceu, “voltei a ter 30 anos...”. Começou a fazer a típica vida de estudante, com todas as partes boas e más que isso implica. Vive numa cidade universitária, “estica” o dinheiro da parca bolsa e transforma-se. “Fiquei muito mais prática. Quando o meu marido me visitava quase não me conhecia. Deixei de achar necessário arranjar-me ao pormenor para ir aocinema, por exemplo, coisa que fazia em Lisboa. Foram experiências muito ricas do ponto de vista humano.” 
 
Entre Lisboa e Paris
 
Entre os anos de 1971 e 1986 desenvolve vários projectos de investigação aplicada na área da Microbiologia Médica, que dão origem a mais de quatro dezenas de publicações científicas, na sua maioria, publicadas em reputadas revistas estrangeiras. Em França édistinguida, em 1975, com o grau de “Chevalier de l’Ordre des Palmes Academiques”. Em 1977 forma-se em “Docteur d’État és-Sciences Pharmaceutiques”, pela Universidade de Paris-Sud, com a classificação de “Trés Honorable”. Ao mesmo tempo, em Portugal, torna-se professora Auxiliar na FFUL na disciplina de Microbiologia, membro do Conselho Científico da FFUL e, em 1979, professora associada da FFUL...
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