Negros da terra: índios e bandeirantes nas origens de são paulo

Páginas: 25 (6129 palavras) Publicado: 26 de novembro de 2011
1. Formação da Sociedade Baiana

Antes de proceder a uma análise mais ampla sobre o desenvolvimento do capitalismo internacional e os seus reflexos na organização da sociedade brasileira é salutar voltarmos no tempo e espaço, precisamente na primeira metade do século XIX.

As relações sociais na Bahia ao longo do século XIX eram permeadas pelo sistema agro - mercantil. Esta produção exigiaextensas propriedades de terra e a presença de uma avultada mão-de-obra escrava para a execução das atividades na lavoura. Esses cativos trazidos da África onde eram negociados como mercadorias, propiciando um grande fluxo comercial e o enriquecimento de comerciantes, proprietários de terra e Senhores de Engenho. Diante de tal afirmativa é salutar destacar que a presença de negros escravizados noBrasil não significaria dizer, que estes aceitavam sem resistências as obrigações impostas pelas elites aristocráticas enquanto cativos, mas sim que estes ao longo de sua história se utilizavam vários mecanismos de contraposição à ordem vigente. Na organização social escravista a resistência fez-se presente frente aos instrumentos de opressão, exploração e apropriação do trabalho escravo, nadinâmica das relações sociais que se estabeleciam entre senhores e "cativos"; os primeiros procuravam manter o controle e o funcionamento do sistema escravista, estabelecendo entre os escravos uma hierarquia social baseada nas relações de dependência, compadrio, fidelidade e proteção. Assim os detentores dos meios e da força de produção se utilizavam de uma política paternalista, de incentivo asdisputas em função dos benefícios que poderiam ser dispostos aos que maior fidelidade dispusesse ao seu senhor. Já os últimos por constituírem o segmento oprimido e excluído resistiam ao sistema através dos elementos culturais oriundos da sociedade de origem, associados à nova dinâmica cultural.

A historiografia tradicional, durante muito tempo "minimizou" o papel social do escravo, não o percebendoenquanto agente histórico, interventor e dinamizador das relações, que irá contrapor as instituições escravistas. Os escravos irão resistir por não concordarem com a organização da sociedade, ou pela quebra de compromissos e acordos anteriormente acertados, é preciso não perder de vista que os escravos diante das obrigações impostas, da apatia originada pelo choque cultural, terão que se"adaptar" a nova realidade social e aos interesses em jogo, não esquecendo que cada escravo trazia consigo idéias claramente demarcadas, baseadas nos costumes, do que seria uma dominação aceitável, onde a quebra do padrão ou os interesses individuais geravam descontentamentos, motivando as fugas ou revoltas. Os instrumentos de resistência podiam se dar em ações cotidianas (roubos, sabotagens,assassinatos, suicídios, etc.), e sobretudo em aspectos menos visíveis de uma ampla resistência sócio-cultural, ou a longo prazo, através de formação de quilombos e revoltas, esses indivíduos reagem por não aceitarem ser "meio de produção" e exploração, fogem para criar uma sociedade alternativa, organizam revoltas para mudar a ordem das coisas (malês), ou criam associações que lhes garantam o prestigiopróprio de serem negros (Irmandades).

"Fugir para a liberdade em primeiro lugar, nunca foi tarefa fácil. A escravidão como sabemos não terminava nas porteiras de nenhuma fazenda particular, mas fazia parte da lei geral da propriedade e, em termos amplos da ordem socialmente aceita"1.

Com a abolição do tráfico internacional de escravos e a Lei de Terras (1850), (legislação criada por uma eliteescravista com o intuito de administrar a posse da terra diante da superação gradativa da escravidão), haverá o aparecimento de novos elementos, de novas relações não capitalistas e capitalistas de trabalho e produção. Embora não alterando as estruturas preexistentes, são indícios claros de uma sociedade em transformação referendada por uma política econômica internacional.

As relações anglo...
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