NAS MALHAS DO PODER ESCRAVISTA: A INVASÃO DO CANDOMBLÉ DE ACCÚ

Páginas: 11 (2550 palavras) Publicado: 5 de outubro de 2013
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO
REDE NACIONAL DE ALTOS ESTUDOS EM SEGURANÇA PÚBLICA
PÓS-GRADUAÇÃO LATU SENSU: “Violência, Criminalidade e Políticas Públicas”




HÉLIO LIMA FEITOSA



NAS MALHAS DO PODER ESCRAVISTA:
A INVASÃO DO CANDOMBLÉ DE ACCÚ








São Cristóvão/SE
2010NAS MALHAS DO PODER ESCRAVISTA:
A INVASÃO DO CANDOMBLÉ DE ACCÚResenha apresentada à disciplina Violência e Grupos Vulneráveis: Religiões Afro-Brasileiras, como requisito de avaliação no curso de Pós-Graduação Latu Sensu em Violência, Criminalidade e Políticas Públicas - UFS.







HÉLIO LIMA FEITOSA




PROFESSOR: BRICE SOGBOSSI












São Cristóvão-SE
2010
NAS MALHASDO PODER ESCRAVISTA: A INVASÃO DO CANDOMBLÉ DE ACCÚ

Na publicação, Negociação e Conflito: A Resistência Negra no Brasil Escravista, de João José Reis e Eduardo Silva, em seu terceiro Capítulo, tem-se uma análise documental de expedientes trocados entre autoridades da Bahia oitocentista. Os documentos analisados enfocam um acontecido da época, do qual resultaram muitas consequências históricasacerca das liberdades culturais e religiosas negadas aos escravos africanos e seus descendentes: a invasão, por parte das autoridades locais, a um espaço de prática religiosa dos negros africanos e não africanos, o Candomblé de Accú. Trata-se de pano de fundo para aprofundar investigações acerca das dinâmicas e tensões sociais vividas naquela época, há mostras de como se deram os processos dealargamento e adaptações das religiões e culturas trazidas da África para o Brasil escravista.
O artigo trata da principal forma de controle dos escravos nos idos de 1830: a violência institucional e estrutural. Era esse o método fundamental de autoridade, mas essa não era a única forma de se intentar seu domínio; oscilavam-se as tentativas entre aparentes liberdades e repressão. O escravo seria umaespécie de sub-raça humana para a sociedade escravagista. A condição de escravidão, apesar das alternâncias das políticas de governo, entre o aparente afrouxamento das “regras sociais” e a pouca ou nenhuma liberdade, nunca seria entendida pelo escravo como uma condição de paz plena. A força de liberdade insurgia-se de muitas maneiras e contra qualquer que fosse a forma de poder em voga.
Asexecutivas do conjunto social se davam de forma tensa, mas nem sempre de maneira ostensiva. Do lado dos “brancos”, todo um aparato de controle para sobrepujar a liberdade do negro, tida como perigosa. Do outro lado, os negros tolhidos de práticas que não fossem a de produzir riquezas para o branco. Vivia-se em pequenas batalhas, nas quais cada lado usava de todos os seus recursos para garantir seuspequenos êxitos. Os escravos tinham de enfrentar as contendas com bastante perspicácia, dada a desvantagem do seu prestígio social, que nessa época, já dava pequenos passos e transcendia às Senzalas e aos Quilombos. Quando havia revoltas, eles (os escravos) nem sempre visavam à extinção da lógica escravista num todo, mas as melhoras de vida cotidiana dos seus redutos. Contudo, mesmos as revoltasmais facilmente sufocadas e contidas eram sempre somatórias nas conquistas. A sensação de uma nova revolta criava condições favoráveis para os revoltosos.
Na primeira metade do século XIX, na Bahia, havia vários fatores que contribuíam para os sucessos nas revoltas coletivas. A singularidade étnica dos escravos do País Africano Benim foi desses fatores preponderantes. Em meados de 1860, opercentual dessa nação já somava 60 % dos escravos em Salvador, o percentual restante era originário da Costa da Mina e do Sul da África. Com respeito à população total de Salvador, esse percentual representava 33% em 1835. O número elevado de Africanos na Bahia favoreceu a propagação das suas culturas; favorecia também aos crescentes números de levantes. Os processos de afirmação e reconstrução dessa...
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