Narrativas e upp´s: cotidianos escolares por eles mesmos.

Páginas: 35 (8545 palavras) Publicado: 27 de maio de 2013
NARRATIVAS E UPP: COTIANOS ESCOLARES POR ELES MESMOS

Autora: Anna Clara de Almeida Conte, estudante da Faculdade de Educação da UERJ.

Resumo: O objetivo central do presente trabalho é descrever a tessitura das relações sociais que enredam o cotidiano das escolas municipais Humberto de Campos e José Moreira da Silva, após a conjuntura de “pacificação” da comunidade da Mangueira. Busquei asescolas dessa comunidade e nessa conjuntura, por entender que nas comunidades pacificadas o Estado potencializa seu poder vigilante e punitivo, ficando assim mais claro seu projeto de dominação. Porém, o trabalho não se reduz em apenas discutir e analisar a influência do Estado e de suas políticas. Busquei compreender como cotidianamente a população da comunidade se utiliza dos sistemas impostos aresistência da lei histórica de um Estado de fato e suas legitimações dogmáticas (Certeau, 1994). Entendendo que precisamos nos reconhecer como humanos, com sentimentos múltiplos e complexos, ora comuns e ora divergentes (Oliveira e Alves, 2008).

Palavras-chaves: Cotidiano; Direitos Humanos; Escolas; Pacificação.

Sumário: 1. Introdução; 2. Pesquisa de Campo; 3. A infância e o funk; 4. Rondaescolar; 5. Escola não é caso de polícia; 6. Outros vilões; 7. Programa UPP social; 8. Freqüência escolar. 9. Conclusões. 10. Bibliografia.

“Porque a justiça deles só vai em cima de quem usa chinelo. Barracos e ratos no chão, meus heróis também morreram de overdose ou de violência”
Emecida

1. Introdução:

O presente trabalho buscará através de sua pesquisa de campo compreender edescrever a tessitura das relações sociais que enredam o cotidiano das escolas da comunidade da Mangueira a partir da sua conjuntura de “pacificação”. Busco as escolas dessa comunidade e nessa conjuntura por entender que nas comunidades pacificadas o Estado potencializa seu poder vigilante e punitivo, ficando assim mais claro seu projeto de dominação. Porém, o estudo não se reduzirá em apenas discutire analisar a influência do Estado e de suas políticas. Buscarei compreender como cotidianamente a população da comunidade se utiliza dos sistemas impostos a resistência da lei histórica de um Estado de fato e suas legitimações dogmáticas (Certeau, 1994). Entendendo que precisamos nos reconhecer como humanos, com sentimentos múltiplos e complexos, ora comuns e ora divergentes (Oliveira e Alves,2008).
A partir de novembro de 2010, com a ocupação do morro do alemão, busquei pesquisar através de matérias de jornais e redes sociais como ocorria a ocupação das comunidades, até que no mês julho desse ano, eu e alguns amigos de outros cursos da UERJ resolvemos entrar em contato com a associação de moradores da comunidade do Metrô Mangueira, que nos convidaram a visitar a comunidade paravermos de perto como andavam os processos de remoções e ocupação da polícia.
Sabíamos que a situação era desfavorável as pessoas que ali moravam, só não sabíamos o que na prática cotidiana, isso significava. A partir da visita, decidi dedicar a presente pesquisa a essas pessoas que sem “saberem” o porque, já foram condenadas pelos governos a viverem os absurdos das políticas de “segurança pública”.Diferente do que os governos dizem, as UPP´s estão muito longe de serem um projeto para as comunidades. O que está acontecendo no nosso Estado é um projeto de dominação, de poder. Fica configurada então, não uma guerra ao narcotráfico, mas uma guerra aos pobres ou aos que não seriam benquistos na "cidade higienizada". Não à toa as UPP´s foram instaladas e as remoções de comunidades inteirasforam feitas nas áreas de grandes investimentos do capital, como a Zona Portuária, a Zona Sul, as áreas em torno do Maracanã e na Cidade de Deus.
Na comunidade do metrô mangueira, o que pudemos encontrar (sem dramatização nenhuma) foi um verdadeiro cenário de guerra. Antes de tudo acontecer, alí viviam famílias que tinham pequenos comércios ao redor da comunidade ou que trabalhavam por perto....
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