MORTE E VIDA SEVERINA.resenha crítica

Páginas: 6 (1344 palavras) Publicado: 21 de agosto de 2014
UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB
PRÓ-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO – PROGRAD
Curso: Bacharelado em Ciências Contábeis Departamento de Educação Campus VII – Senhor do Bonfim
Disciplina: Leitura e Produção Textual
Profa. Ms. Maria Iraídes da Silva Barreto
Discente: JOSÉ ROBÉRIO LIMA XISTO

MORTE E VIDA SEVERINA, UM AUTO MEDIEVAL.

Resenha: FALCÃO, MIGUEL. Desenho animado Morte eVida Severina. TV Escola,
produzido pela Fundação Joaquim Nabuco; inspirado na obra João Cabral de Melo
Neto. Direção: Afonso Serpa. (2010).
Miguel Falcão é chargista e ilustrador. Formado em Design pela Universidade Federal
de Pernambuco e desde 1989 ocupa o cargo de chargista e ilustrador do Jornal do
Commercio do Recife. Membro da Diretoria do Sindicato dos Jornalistas de
Pernambuco.Fundador da Acape, Associação dos Cartunistas de Pernambuco. [1]
O poema dramático Morte e Vida Severina, do autor João Cabral de Melo Neto, é um
Auto de Natal publicado exclusivamente em 1965 e ilustrado por Miguel Falcão, em
2005, no gênero história em quadrinhos para desenho animado; traz uma
sequencialidade de imagens surreais, permitindo às várias possibilidades de leitura do
discursomaterializado no desenho animado e adaptado para a linguagem
cinematográfica. Contudo, ainda é preciso buscar na memória histórica o fato de
conhecer as imagens do sertão (chapéus, cactos, caatinga, solo rachado, rios
intermitentes) e temas sociais do Nordeste brasileiro, somente assim, poderá se fazer a
leitura do discurso implícito e materializado nos quadrinhos de desenho animado.
A animaçãocomeça com a definição de quem é Severino ou de quem são os Severinos,
à proporção que ele, Severino, procura se identificar e se distinguir dos demais, o
próprio Severino assume outras formas: como mandacaru (cactos com face de Severino,
cinco cabeças de Severino numa união aos cactos que falam e tomam formas de vida) e
de caneta-tinteiro (face de Severino) representando a igualdade entre osSeverinos, e
isso se confirma na fala do personagem narrador quando diz: ”o sangue que usamos tem
pouca tinta”. Revelou-se, portanto, que Severino é uma “metáfora” de todo nordestino.

Na sequência dos quadrinhos temos o próprio Severino se lamentando da morte e
explicando as causas das mortes que acontecem no sertão (morte morrida e morte
matada), das quais são vitimados os Severinos. Criançasmorrem e numa imagem
também surrealista anjinhos sobem aos céus, sabemos que no Nordeste brasileiro existe
a crença de que crianças são anjinhos e ao morrerem em tenras idades vão direto para o
céu. Quando não se morre de morte morrida em tenras idades, morre-se de morte
matada, neste contexto, temos a aparição simbólica da morte com a imagem da
espingarda e a bala voando representando aimpunidade do homicídio, pois nunca se
sabe (ou se sabe) não se denuncia quem mata o pobre homem que lavra a terra
(Severino).
Na viagem retirante (migração) de Severino em direção ao litoral (Recife), ele compara
as cidades ou vilas com as contas do rosário, os intervalos das contas com o vazio da
caatinga e a conta final com a capital Recife, como se devesse cumprir uma sina, uma
oração depenitência até o destino final.

No caminho percebe-se na fala dos

personagens o desânimo diante da vida devido aos problemas da seca. O personagem
segue o curso do rio, mas se depara com a dura realidade dos rios nordestinos, na sua
maioria intermitente. No trajeto encontra mais adiante o velório de outro Severino; a
morte sempre está presente e o persegue na figura simbólica de um abutre.Durante a animação Severino tem um encontro com uma rezadora, profissão de ofício,
lucrativa numa região onde a morte é constante. A rezadora semeia pequenos crânios
que simbolizam a morte, as sementes lançadas ao solo, brotam esqueletos (como se
fossem plantas), numa imagem surreal provocando uma visão imagética perturbadora.
O momento mais surrealista e de êxtase da animação ocorre quando...
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