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Páginas: 59 (14552 palavras) Publicado: 29 de abril de 2013
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RELAÇÕES INTERNACIONAIS
WILLIAMS GONÇALVES Professor dos PPGs. Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da Universidade Federal Fluminense

1 Introdução

A análise das relações internacionais passou a ter sua importância reconhecida no início do século XX. Até a eclosão da Primeira Guerra Mundial, o estudo das relações internacionais estivera a cargo dediplomatas, historiadores e juristas. A partir dessa data a situação mudou: notáveis esforços passaram a ser realizados no sentido de fazer, das Relações Internacionais, um campo de estudo específico e autônomo. Na prática, isso tem se traduzido no trabalho de definir, com alguma precisão, os limites da realidade das relações internacionais, bem como de produzir um dispositivo conceptual que resulteem análises integradas, as quais, por sua vez, possam permitir ir além das análises parciais produzidas pela Economia Internacional, pelo Direito Internacional, pela História Diplomática e pela Política Internacional. É cada vez maior o reconhecimento que as relações internacionais são extremamente complexas e abrangentes para serem submetidas às estreitas medidas estabelecidas por essasdisciplinas. Ainda que cada uma delas possa iluminar aspectos relevantes da realidade, somente uma análise que combine, de modo articulado, conceitos elaborados por esses campos específicos poderá compreender sua extensão e sua densidade. Em outras palavras, o grande desafio enfrentado pelas Relações Internacionais é o de assumir sua indispensável multidisciplinaridade. Pode-se dizer, no entanto, que essedesafio tem sido enfrentado e vencido, exclusivamente, pelos acadêmicos do mundo anglo -saxão. Não obstante o conhecimento das Relações Internacionais interessar, em toda parte, àqueles que, de alguma forma, participam das relações internacionais (nomeadamente estadistas, diplomatas, militares e acadêmicos), o fato é que a produção acadêmica do mundo anglo-saxão neste campo, é

2esmagadoramente superior à produção dos demais centros acadêmicos do mundo, juntos, incluindo os países nos quais há tradição de pesquisa universitário -acadêmica na área das Ciências Sociais. As razões determinantes dessa primazia anglo-saxônica no domínio dos estudos de Relações Internacionais são largamente conhecidas e podem ser decompostas, para fins analíticos, em três ordens, a saber: econômicas,acadêmicas e de poder. Inicialmente, as instituições dos Estados Unidos e da Inglaterra nunca pouparam recursos para apoiar a pesquisa e o ensino das Relações Internacionais. A primeira cátedra universitária dedicada a este campo de estudo, a Woodrow Wilson, financiada pelo cidadão inglês David Davies, foi criada em 1919, na Universidade de Gales. Mais tarde, logo após a Segunda Guerra Mundial, oEstado norte-americano, por meio de suas diversas agências governamentais, destinou somas fabulosas à pesquisa sobre os mais diversos aspectos das relações internacionais. Isso fez com que um grande número de acadêmicos talentosos se sentissem motivados a trilhar o caminho do estudo das Relações Internacionais. Em segundo lugar, apesar das diferenças existentes entre os mundos acadêmicosnorte-americano e inglês, ambos assumiram o desafio tanto de definir o objeto específico das Relações Internacionais, como o de trabalhá-lo cientificamente. Nos Estados Unidos, a ciência das Relações Internacionais nasceu a partir dos estudos de Ciência Política; isso significa dizer que ela assumiu, desde o seu nascimento, um caráter eminentemente prático. Em sintonia com a tradição acadêmica desse país, naárea da Ciência Política, as Relações Internacionais foram pensadas para resolver problemas concretos enfrentados pelo Estado, em detrimento da especulação puramente teórica. Na Inglaterra, por seu turno, o percurso foi diferente. Lá, as Relações Internac ionais nasceram da cooperação acadêmica entre os diferentes segmentos universitários e a diplomacia. Dessa experiência, formou-se uma tradição...
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