Mario Quintana - uma breve análise

Páginas: 18 (4492 palavras) Publicado: 8 de abril de 2014
Mario Quintana – uma breve análise


♦ Quintana, o poeta

Falar sobre Mario Quintana não é e nunca será fácil. Passa-nos inclusive uma sensação de “ousadia” quando nos propomos a tal. Mas, ao mesmo tempo, é inspirador falar sobre este inimitável poeta. Então, ficamos, assim, entre a ousadia e a inspiração, entre a tietagem e o acadêmico.

Quintana é um daqueles raros autores a quempodemos atribuir a arte da poesia como um dom natural, de fluência espontânea e que se sobressai à teoria — é o pensar poético. Assim, é pulsante a nossa incitação em pensar que, muito antes de ser humano e homem, Mario Quintana foi poeta. E é o que encontramos em suas obras, sempre envoltas numa beleza poética carregada de simplicidade visual, mas de complexa cognição em torno das idéias.

A propostadeste trabalho, que traz como título “Mario Quintana – uma breve análise” é, em uma primeira seção, expor um pouco da vida do autor, não se detendo longamente a esse intuito. Em sua segunda seção, apresenta uma análise breve da obra de Quintana, buscando destacar um pouco da sua temática como poeta.



♦ Mario por ele mesmo


É muito válida e interessante uma reflexão acerca do queQuintana diz sobre si mesmo. Afinal, quem melhor para defini-lo que o grande poeta e escritor Mario Quintana?

Em sua resposta poética (sim, poética!) à reportagem da IstoÉ, ele diz “Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão”. É isso que buscamos ao longo desta análise, buscamos Quintana, buscamos a essência quintaniana. Eficaremos extremamente satisfeitos se conseguirmos alcançar pelo menos uma centelha de todo esse universo.

Mario por ele mesmo
Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo,nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.
Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava quenão estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeitonão satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?
Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sidoprático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Verissimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.
(Texto escrito pelo poeta para a revista IstoÉ de 14/11/1984)



♦ Um pouco da vida de Mario Quintana

Mario de Miranda Quintana nasceu em Alegrete, cidade do Rio Grande do Sul, a 30 dejulho de 1906 e morreu em Porto Alegre, a 05 de maio de 1994, próximo dos 88 anos de idade. Foi poeta, jornalista e tradutor. Filho de Celso de Oliveira Quintana e de Virgínia de Miranda Quintana, fez as primeiras letras em sua cidade natal, e em 1919, mudou-se para Porto Alegre, onde estudou no Colégio Militar.

Quintana trabalhou como jornalista grande parte da sua vida. Traduziu mais de...
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