MARIO DE SÁ-CARNEIRO

1545 palavras 7 páginas
EMARIO DE SÁ-CARNEIRO.

Barcelona—Setembro de 1914.

Lisboa 1915—Fevereiro 16

Passas, e em tua sombra a ondear saudosa vagam fantasmas de desertas salas… (Vozes perdidas, juramentos a esmo, passos que morrem sobre passos, sinos acordam madrugadas em mim mesmo. E entre trompas, tambores e metralha, clave harpas, órgãos, tubas e violinos a Vida e a Dôr começam a batalha…) III—Genese POEMAS DE RONALD DE CARVALHO Antes a alma que tenho andou perdida, foi pedrouço a rolar pelo caminho, topázio, opala, perola esquecida num bracelete real; foi caule e espinho, bronze que a mão tocou, áurea jazida por entre as ruinas de um país maninho, e refletiu fatal, o olhar da Vida no corpo em sangue de um estranho vinho… Foi casco medieval, foi lança e escudo, foi luz lunar e errante de lanterna, e depois de exsurgir, triste, de tudo veio para chorar dentro em meu ser a amarga maldição de ser eterna e a dor de renascer quando eu morrer… LAMPADA NOCTURNA Tonta de sono e de doçura no alto das garras de marfim perdida em sombra a luz procura. Alguém morreu dentro de mim… Pela janela triste e escura que abre os balcões para o jardim sobe um perfume de amargura. Alguém morreu dentro de mím… E vaes rompendo silenciosa com o fino teu punhal de luxo no ultimo vaso a ultima rosa… E o caule nu reflete agora no teu olhar como um repuxo que implora o azul e não demora… TORRE IGNOTA Da sombra se ergue e não demora nas mãos que a cingem desejosas o ar a fascina sempre e agora e as linhas lava luminoso O talhe inquieta a luz por fora sonham cimeiras dolorosas e não floresce na haste da hora nem a volúpia de outras rosas Só de ser única levanta como um sorriso a pedraria que o som dos bronzes acalanta Da sombra se ergue para a gloria e a mão que a esflora é argila fria num voo branco de memoria O ELOGIO DOS REPUXOS Dôr dos repuxos ao Sol-Pôr agonizando em plumas e marfins, em rosas de ouro e luz… Canto da água que desce em poeira, leve e brando, canto da água que sobe e onde o jardim

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