Mais estranho que ficção

Páginas: 7 (1563 palavras) Publicado: 20 de outubro de 2014
Dirigido por Marc Forster. Com: Will Ferrell, Emma Thompson, Dustin Hoffman, Maggie Gyllenhaal, Queen Latifah, Tony Hale, Tom Hulce, Linda Hunt.
Há algo de especial em Mais Estranho que a Ficção: o filme tem suas falhas óbvias, um desfecho relativamente decepcionante e ao menos uma personagem completamente desnecessária (vivida por Queen Latifah), mas, apesar disso, consegue desenvolver suahistória de forma sempre interessante e com uma sensibilidade que certamente surpreenderá aqueles que forem ao cinema esperando assistir a uma comédia (algo que este longa não é). Criando um universo que se move de acordo com suas próprias regras e mergulhado em auto-referências, Mais Estranho que a Ficção poderia perfeitamente figurar em uma antologia que contasse com obras como O Show de Truman,Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças e Adaptação – e, mesmo que levemente inferior a estes títulos, o novo trabalho do diretor Marc Forster não faria feio ao lado dos “colegas”.
Escrito por Zach Helm, o roteiro conta a história de Harold Crick (Ferrell), um auditor da Receita Federal que, certo dia, passa a ouvir uma voz que parece narrar todas as suas ações e pensamentos. Levando uma vidaentediante cujo momento mais dramático ocorreu ao ser abandonado pela noiva (que, é claro, fugiu com um atuário), Harold busca a ajuda de um mestre em literatura, pois acredita ser o personagem de alguma narração – que se torna bem mais tensa quando ele descobre que a “autora” pretende matá-lo brevemente. Infelizmente, ele tem razão: na verdade, a voz que o sujeito ouve pertence à célebre escritora KayEiffel (Thompson), famosa por suas tragédias e que não tem a menor idéia de que Harold é um homem real que pode escutá-la.
Utilizando a metalinguagem como base de sua narrativa, o filme consegue algo raro: fazer uso da narração em off com inteligência e de maneira sempre orgânica à trama. A partir do instante em que começa a ouvir a voz de Eiffel, o protagonista percebe que pode não ser dono desua própria vida e, portanto, tenta assumir o controle da história – mesmo que isto se limite a trancar-se em seu apartamento numa tentativa desesperada de impedir que a trama continue a se desenvolver. E é um alívio que o roteiro jamais tente explicar a estranha ligação entre Harold e a escritora, já que isto não faria diferença alguma e poderia até mesmo enfraquecer o filme (já bastam os várioslongas que usam desculpas esfarrapadas como biscoitos da sorte, maldições feitas por ciganas raivosas, frases ditas simultaneamente por dois personagens, etc). Aliás, até mesmo a natureza do professor de literatura vivido com brilhante ironia por Dustin Hoffman é deixada em aberto: por que, afinal de contas, ele acredita na história absurda de Harold e se dedica até mesmo a compilar uma lista depossíveis autores cujas vozes este poderia estar escutando? Simples: por que isto é necessário para que a trama caminhe e, afinal de contas, nenhuma explicação poderia ser realmente plausível, considerando-se o absurdo da premissa básica do filme – assim, para que inventar uma? Basta que o espectador compreenda e aceite a lógica interna da história para que tudo faça sentido.
Vale dizer, apropósito, que Mais Estranho que a Ficção demonstra ter uma confiança admirável na inteligência de seu público: além de apostar em nossa capacidade de não exigir respostas desnecessárias, ele não tenta martelar em nossa cabeça o tom de sua narrativa. Sim, é claro que sua premissa é divertida por natureza e que a presença de Will Ferrell tende a levar o espectador a assumir que o riso é a principalpreocupação dos realizadores; ainda assim, o diretor Marc Forster conduz a história com calma, sem histrionismos, permitindo que mergulhemos sozinhos no clima de melancolia que atravessa o filme. Sem jamais se render ao óbvio, Forster opta por construir pequenos momentos de humor através de marcações inesperadas (como o movimento constante da cadeira que Ferrell ocupa em um ônibus), descartando sem...
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