Locke e o pinheirinho

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Madrugada de Domingo, dia 22 de Janeiro de 2012, um grande efetivo da polícia militar do Estado de São Paulo se organiza estrategicamente ao redor de um espaço de mais 1 milhão m² ocupado por entre 3000 a 9000 mil famílias chamado Pinheirinho na zona sul de São José dos Campos. A partir de então, começou aquele que seria mais um golpe, não só nos direitos humanos , mas na condição humana.
Como entender quando um grupo formado por mulheres, idosos, crianças, assalariados, desempregados, famílias inteiras decidem se auto orientar, ocupar e atribuir função social a um espaço cujo dono é réu num processo federal em uma cidade que ostenta um longo e maquiado déficit habitacional; e é brutalmente oprimido e desamparado pelo poder público na esfera estadual e municipal cuja responsabilidade aparente era justamente promover melhorias nas condições de vida também dessas pessoas. Visto dessa forma, parece contraditório, estarrecedor e revoltante, mas não o é segundo a lógica da política vigente, a orientação jurídica pertinente, a mídia de maior abrangência e a classe social dominante; posto que se fez valer justamente o que estes assim coordenaram: a expropriação sumária por meio de violência desmedida.
Mas afinal de contas o que legitimou os atos referidos do poder jurídico político do Governo Estadual e da Prefeitura com o aval direto e indireto de outros setores sociais e midiáticos? Como é possível a reintegração de posse quando o detentor da "posse" é uma massa falida cujo maior credor era a União. A questão talvez não sejam estas e sim como um grupo de pessoas pode adquirir uma propriedade de “outrem” sem, contudo, não tê-la comprado? A resposta tem caráter sistêmico e possui um precedente fundamento filosófico muito adequado ao caso. Pode-se até arrolar uma discussão bizantina acerca dos recursos legais e imediatos que autorizaram, consentiram e promoveram a barbárie por meio de balas de borracha, gás lacrimogêneo, spray de pimenta, caras feias, coturno e

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