Literatura - Budapeste

Páginas: 12 (2842 palavras) Publicado: 17 de setembro de 2014
 Budapeste narra a história de José Costa, ghost-writer que vive no Rio de Janeiro com sua mulher, Vanda, uma apresentadora de telejornal, bonita, superficial, típica representante do consumismo, do imediatismo e desse mundo feito de aparências e espelhos. Sendo um autor anônimo, ele escreve para o outro duplamente, pois não escreve somente para o leitor, como também para um segundo autor,aquele que será institucionalizado como o legítimo autor do livro, na esfera pública. Chamado a escrever um romance autobiográfico para o alemão Kaspar Krabbe, ele compõe “O Ginógrafo”. O livro narra a visão da cidade a partir da experiência amorosa do alemão com a Teresa, uma mulher brasileira onde escreveu as suas primeiras palavras da língua nativa. O sexy da linguagem nos é feita, com a promessa doque esperamos do discurso, de suas frases, com aquilo que nos seduz. O protagonista imagina suas frases na boca, no corpo do outro, sendo dita, lida e interpretada por um indivíduo que não era ele. É dessa mesma maneira que não é o outro quem se apossa de sua escrita, mas é ele quem se apossa. Assim, a autoria passava por uma relação domiciliar. Era como se ele escrevesse em um espaço que não éseu, na casa, no território de outra pessoa. Após inventar a história do cliente, escrever frase por frase, ele as repetia, colocando-se no lugar do dele, como se fosse o outro, imaginando suas frases na boca daquele indivíduo. Ao mesmo tempo em que José Costa escrevia (metaforicamente) com o corpo do alemão, com o seu modo de ver o Rio de Janeiro e aquela língua que lhe era estranha, KasparKrabbe, por sua vez, escrevia o seu livro no corpo de Teresa e, posteriormente, no corpo das estudantes, das prostitutas e das outras mulheres com as quais se relacionou no Brasil. José Costa, após acabar de escrever o livro, estabelece um contrato, que dá ao Krabbe, os direitos autorais, consensualmente. O livro se arquiva, desse modo, numa relação perigosa que oscila entre o secreto que pode se tornarnão secreto, caso José Costa conte ser o verdadeiro autor do livro. A qualquer momento o privado pode vir a tornar-se público. O narrador em “Budapeste” é movediço, não confiável, porém, clássico.
Percebe-se, em Budapeste, que a língua é também um arquivo, que possui um corpo e um domicílio, no sentido que este estudo dá a essas palavras. Um sotaque, por exemplo, revela seu corpo na escrita,como se observou quando Kriska o percebe nos Tercetos Secretos. Sotaque que José Costa tem dificuldade de perceber. Seu nome próprio também não se adequava à língua, como um traje inadequado. Nota-se a metáfora da roupa, do traje, que compõe esse corpo. O corpo da escritura em Budapeste passa pela cultura, pelos hábitos, pelos costumes, por aquilo que não se pode traduzir sem deixar um sotaque,como o seu nome José Costa, como os poemas que escreveu na língua magiar com sotaque estrangeiro. E a cidade também passa pela língua, a cidade também possui um corpo que é linguístico, que se modifica quando se desloca do centro para a periferia.







A subversão de uma ordem linear está no centro das coisas. A narrativa linear não é obedecida. Evasão do sentido e informação da forma. Oconjunto não dialoga entre si. Forma uma gestalt. O entendimento cartesiano não é tão importante, é uma necessidade humana. Ruffato tem um projeto literário consistente. É um romance muito cerebral. O narrador não é único, é múltiplo. A questão metalinguística (que o Budapeste repete) está presente. O livro do Ruffato é uma experiência formal. Ele corta, sintaticamente, blocos, quando começa-se aperceber uma linearidade. Seu trabalho usa da tensão entre os indivíduos massacrados pelo cotidiano e a possibilidade de uma construção subjetiva de uma voz que nunca foi usada. O livro começa com uma linearidade (cabeçalho, tempo etc) que logo depois é rompida. A última peça do quebra-cabeça nunca acaba. Sua proposta era que o livro fosse lido de forma aleatória. Se recusou a usar a narrativa...
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