Limite na medida certa

Páginas: 21 (5241 palavras) Publicado: 17 de agosto de 2015
Disciplina, lim ite na m edida certa
(IÇAMI TIBA)

Há uma história que sempre desperta o interesse de pais e educ adores porque é ao mesmo tempo muito bemhumorada e realista:
Dois meninos de c inc o anos estão numa espaç osa área de lazer. Não há brinquedos por perto. Um deles é magro e
alto. O outro é gordo e baixo. Naturalmente, resolvem brinc ar.
O magro propõe:
“É pega- pega, e v oc ê é opegador!”
E já sai em tal disparada que o gordo, c om seus passos lentos e pesados, tem dific uldades de ac ompanhar.
Quando est e perc ebe a dist ânc ia ent re os dois aument ando c ada v ez mais, t oma c onsc iênc ia de que não
c onseguirá alc anç ar o outro tão c edo. Então pára, estic a o braç o e, apontando c om o indic ador, grita:
“Aí não vale!”
O magro imediatamente pára, mesmo sabendo quenão tinha sido c ombinado que ali não valeria.
Nesse momento da palestra, pergunto ao públic o:
“Por que o magro parou?”
Perc ebo que c ada um busc a dentro de si uma boa resposta. Para fac ilitar, eu mesmo respondo:
“Para c ontinuar brinc ando! Se o magro c ontinuar c orrendo, a brinc adeira ac aba, não é?”
O magro volta até o gordo c om os ombros meio c aídos, pois sabe que agora é a vez daquelepropor outra
brinc adeira. O gordo, vendo o magro bem próximo, diz:
“É luta livre!”
E já avanç a no magro, dá- lhe uma “gravata”, derruba- o e aperta o pesc oç o do menino, que, à beira do desmaio,
dá umas palmadinhas no braç o do gordo em sinal de que est á se rendendo.
Nesse momento, pergunto de novo ao públic o:
“Por que o gordo pára de enf orc ar o magro?”
“Para c ontinuar a brinc adeira!”,responde o públic o.
E eu arremato:
“E também porque c om morto não se brinc a!”
Após a gargalhada geral, volto ao tema: as c rianç as sabem, intuitivamente, que a brinc adeira é um tipo de
relac ionamento em que um depende do outro. Para c ontinuar a brinc ar é nec essário que ac eitem, nessa experiênc ia
de soc iedade que elas mesmas c riaram uma série de regras:
·
·

Cada c rianç a esc olhe a brincadeira na qual tem melhor desempenho, pois sempre quer ganhar.
Cada c rianç a dá o máximo de si e, se alguém faz “c orpo mole”, isso signific a que não está levando a
brinc adeira a sério.
·
Uma c rianç a não pode exigir da outra mais que esta pode fazer; portanto, o limite é estabelec ido por
aquele que menos habilidades têm para determinada brinc adeira.
·
Quando uma c rianç a diz que nãoagüenta mais, a outra é obrigada a parar, por mais que queira c ontinuar
brinc ando.
·
Se um esc olhe uma primeira brinc adeira, o outro tem direito a esc olher a segunda.
O que não aparec e na história, mas pode ac ontec er, é que, quando uma c rianç a desrespeita o limite da outra,
esta geralmente solta um grunhido (“Ah, é assim?”) e parte para briga. Portanto, toda brinc adeira pode rapidamentetransformar- se em c onflito, e os adultos terão muitas dific uldades para identific ar quem c omeç ou a briga.
Se as c rianç as ac eitam os limites intrínsec os à c onvivênc
em iauma brinc adeira, é porque sabem que não
podem brinc ar f azendo t udo o que têm vontade. Prec isam ac eitar uma c omposiç ão, uma soc iedade c om o outro.
As c rianç as aprendem a c omportar- se em soc iedade ao c onviver com outras pessoas, princ ipalmente c om os
próprios pais. A maioria dos c omportamentos infantis é aprendida por meio de imitaç ão, da experimentaç ão e da
invenç ão.
Quando os pais permitem que os filhos, por menores que sejam, faç am tudo o que desejam, não estão lhes
ensinando noç ões do que podem ou não podem f azer. Os pais usam div ersos argument os para isso: “eles não sabem
o que est ão fazendo”; “são muit o pequenos para aprender”; “v amos ensinar quando f orem maiores”; “sabemos que
não devemos deixar... mas é tão engraç adinho” etc .
É prec iso lembrar que uma c rianç a, quando faz algo pela primeira vez, sempre olha em volta para ver se agradou
alguém. S e agradou, repet e o c omport ament o, pois ent ende que agrado é aprov aç ão, e ela não t em c ondiç ões de
av aliar a...
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