Lições de gerenciamento de crises

Páginas: 27 (6570 palavras) Publicado: 8 de maio de 2011
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“Lições” de Gerenciamento de
Crises
Na linguagem formal da burocracia federal
e sob risco de entediarmos o leitor já na
primeira linha do artigo, os autores são,
respectivamente, o Secretário e Secretário
Adjunto da Secretaria de
Acompanhamento e Estudos Institucionais
do Gabinete de Segurança Institucional da
Presidência da República (SAEI/GSI/PR).
Em formato mais simples, são, háquase
oito anos, o Chefe e Sub-Chefe do
“gabinete de crise” do Palácio do Planalto.
A noção de “gabinete de crise” da
Presidência, com frequência, faz aflorar
um discreto sorriso nos lábios dos
interlocutores. Nos tempos que correm,
tudo parece ser classificado como “crise”,
desde as flutuações das bolsas da Ásia ao
estado das pistas dos aeroportos
brasileiros; da falta de segurança dasmetrópoles à dissolução dos padrões
éticos no comportamento da juventude; da
qualidade das escolas às flutuações da
meteorologia, etc. Caso alguma unidade
da administração pública fosse
encarregada de tal agenda, o sorriso seria
merecido e necessário.
Na prática, a SAEI (nome curto para o
nosso “gabinete”) foi criado no final dos
anos noventa como foro ou local de
articulação para temascom potencial de
crise que envolvam dois ou mais
ministérios. Cumpre sublinhar o uso do
termo “articulação”, entendido como
substantivo que simboliza a ligação entre
as partes, ponto de união dos
componentes que cooperam, reunião dos
órgãos de um sistema que trabalham para
o mesmo propósito. Por conseguinte, o
termo “articulação” é mais polido e
cauteloso do que “coordenação”. Nesteleque de atribuições estão excluídos
assuntos econômicos e políticos, cuja
coordenação é da responsabilidade de
outros órgãos do Palácio do Planalto.
Caberia recordar também as curiosas
circunstâncias do “nascimento” da SAEI.
Em todos os palácios presidenciais existe
alguma unidade encarregada de lidar com
crises, conhecidas por designações como
“sala de situação”; “sala de guerra”, “centrode crise” etc. Há muitos anos, estava claro
que no organograma do Planalto faltava tal
unidade, mas a flexibilidade dos métodos
de trabalho da Presidência parecia ser
capaz de ir suprindo tal necessidade no
dia-a-dia. Em 1998, como se recordarão
muitos, ocorreu grande incêndio florestal
em Roraima e que, até mesmo por
ameaçar importantes reservas indígenas,
foi objeto de grande interesseda mídia
brasileira e internacional. No trato do
assunto, ficou obvio que muitos eram os
órgãos responsáveis por incêndios
florestais: os bombeiros de Roraima; o
Ministério do Meio Ambiente; o Governo
Estadual; a FUNAI; as administrações
municipais; e até as Forças Armadas por
serem a instituição federal com melhor
capacidade de resposta. Enquanto o
Governo Federal discutia ascompetências
para lidar com a “crise”, o Corpo de
Bombeiros de Buenos Aires mandou
equipes que, de imediato, começaram o
combate ao fogo.
A ajuda dos vizinhos sempre será bemvinda
nas horas de dificuldade, mas ficou
claro que era necessário ter alguma
unidade na Presidência capaz de “prevenir
e gerenciar” crises. A velocidade de
resposta era fator vital, visto que incêndios
florestais e muitosoutros problemas
exigem ação governamental rápida. Foram
estudadas as instituições equivalentes em
outros países e, até mesmo por intuição,
ficou claro que não havia um “modelo” a
ser copiado. Como resultado, a SAEI
funcionou, por quase quatro anos, com um
mínimo de formalização burocrática, um
raro exemplo de eficiência sem as
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necessárias bênçãos do Diário Oficial da
União.
Nosúltimos oito anos, o “gabinete” tratou
de muitas coisas. Muitas e variadas.
Organizou a ajuda humanitária para as
vítimas do tsunami de dezembro 2004 na
Ásia; preparou as instituições – públicas e
privadas – no Brasil para a Guerra do
Iraque deflagrada no início do primeiro
mandato do Presidente Lula; trabalhou na
tarefa de minimizar os efeitos de diversas
greves de caminhoneiros; ajudou a...
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