Leitura da história da arte moderna de giulio carlo argan.

Páginas: 15 (3739 palavras) Publicado: 11 de novembro de 2012
História da Arte:
Leitura da História da Arte Moderna de Giulio Carlo Argan.


















Clara Cavendish Wanderley Roth
e-mail: cavendishclara@hotmail.com
site: www.claracavendish.com

O método crítico da historiografia de Argan tem a dialética de Hegel como fio condutor para sua interpretação do desenvolvimento da arte moderna. Aafirmação da autonomia da arte e a idéia de superação estão sempre presentes em suas análises históricas (superação = Aufhebung → [superar conservando] resultantes de um conflito dialético das partes em uma síntese, onde esta superação preserva elementos anteriores). Como conseqüência desta visão suas interpretações são frequentemente surpreendentes e inusitadas. São significativamente reveladoras suasabordagens de enfoques relativos a combinações e avaliações que fogem às concepções usuais e estabelecidas em diversas versões da historiografia da arte. Como no caso de Ingres e Delacroix, dois artistas que representam a grande tensão moderna, mais especificamente entre o clássico e o romântico, onde o clássico teria como referência o mundo antigo greco-romano e o romântico estaria ligado à artecristã da idade média, sempre relacionada a uma revelação do sagrado. A argumentação de Argan nos esclarece a respeito de aspectos da história da arte moderna aparentemente contraditórios, que através de sua interpretação, se revelam muitas vezes complementares ou como partes de uma mesma tendência. A visão sempre renovadora que dirige ao seu objeto de estudo, inaugura possibilidades onde as duasmencionadas tendências artísticas seriam complementares e de fato pertenceriam a um mesmo ciclo de pensamento.
O Iluminismo e a ruptura da tradição abrem caminho para novas interpretações e funções da arte, que conquista sua autonomia em relação às outras áreas do conhecimento. A natureza já não é mais a fonte de todo conhecimento e sim objeto da pesquisa cognitiva. O fato político substitui olugar da natureza-revelação e o homem esclarecido torna-se transformador da realidade. Argan dissolve os clichês do que seria considerado moderno ao explicitar alguns momentos intrínsecos de sua dialética. A visão simplista que afirma a modernidade de Delacroix em contraposição a Ingres é desconstruída por ele quando afirma a complementaridade destes dois artistas. Para ele a verdade doromantismo seria uma resultante necessária do momento neoclássico.
Demonstra este fato ao revelar a postura substancialmente moderna de Ingres que concebia a arte como pura forma. Em sua análise da banhista de Valpinçon observa que Ingres priorizava a relação entre as coisas no quadro ao objeto representado. Valorizava mais a forma enquanto forma e não enquanto a explicitação de um conteúdo. A obranão teria funções cognitivas ou morais, ou seja, ela teria uma razão em si mesma, um sentido intelectual e moral. O sentimento puramente estético preponderava em sua ação. Argan chama a atenção para a desproporcionalidade da figura na banhista de Ingres que é deformada em função da harmonia do todo e de sua necessidade expressiva. Esta é sua maneira de imprimir autonomia à obra. Ao descrever apostura de Ingres por ‘inserir uma vértebra a mais’, na odalisca docemente deformada, divide com o leitor o prazer estético que experimenta na criação de sua linguagem poética, como se ele próprio estivesse pintando um outro quadro, a partir daquele que vê e analisa. A mesma liberdade que tem Ingres com seu objeto é experimentada por Argan em sua narrativa espirituosa e sedutora. Seu olhar diagnósticopercebe em Ingres uma postura revolucionária ao não aceitar nenhum ideal formal a priori, inaugurando o ‘fazer’ da arte e a ‘ação’ deste fazer enquanto constituintes da própria arte. Com Ingres inicia-se uma nova maneira de ver e experimentar a realidade, sendo este o “primeiro a reduzir o problema da arte ao problema da visão”. (1)
Argan é um historiador e crítico de arte que adota um...
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