Leitor crítico e leitor competente

Páginas: 10 (2428 palavras) Publicado: 23 de outubro de 2013


Neste Trabalho, percorreremos duas abordagens de gênero e discurso, buscando favorecer e facilitar a compreensão desses conceitos indispensáveis aos estudos da linguagem. Começaremos revisando algumas definições propostas por diferentes teóricos sobre os conceitos em questão para, em seguida, à luz da teoria, propor uma análise parcial de trechos de três reportagens sobre a morte de JeanCharles de Menezes, ocorrida em um metrô de Londres em julho de 2005.
O objetivo é o de que, ao concluirmos a fase de análise, possamos ter uma idéia mais clara a respeito dos conceitos trabalhados e uma maior facilidade de aplicálos e utilizá-los. Cumpre mencionar que esta análise é tentativa e que é uma possibilidade dentre várias outras.
Foram selecionados três leads e três trechos retiradosde três diferentes revistas, a saber, Carta Capital, Época e Veja, os quais dizem respeito a perspectivas em relação à morte de Jean Charles. No caso das revistas, há a voz institucional da mídia, que tem interesses a serem atendidos, de acordo com seu posicionamento.
Vejamos a seguir os trechos seguidos de sua análise a partir de uma perspectiva micro em direção a uma perspectiva macro.
Leads(‘‘Cabeças’ das reportagens’)
1- Polícia inglesa confunde brasileiro com terrorista e o mata com sete tiros na cabeça.
(Revista Veja. São Paulo: Ed. Abril. Ago. 2005. p.86)

2- O Reino Unido lamenta a morte de brasileiro inocente, mas não muda a nova política de atirar para matar.
(Revista Época. São Paulo: Ed. Globo. Ago. 2005.)

3- EUROPA EM PÂNICO. A morte de um brasileiro inocentemostra como o terror conseguiu colocar os direitos civis em segundo plano.
(Revista CARTA CAPITAL. São Paulo. Ed. Confiança, ano XI, n.353, Ago.2005, p.38)

A representação do discurso feita pela revista Veja em seu lead pauta-se por escolhas lexicais que, por exemplo, colocam a “Polícia inglesa” como ponto de partida da mensagem e como Experienciador, o que confere a ela um caráterproeminente na abertura da reportagem (o que Fairclough [2003] chama de focalização) e o status de uma instituição que planeja suas táticas, que, no entanto, nem sempre dão certo. Isso pode ser evidenciado pelo Processo Mental “confunde”, que indica o pensamento prévio sobre a ação que não foi bem sucedida neste contexto. Tal representação mental relaciona-se com a morte de Jean Charles que é a Metarealizada pelo pronome “o” e também Tema desta parte do período. A revista Veja ressalta um equívoco da Polícia Inglesa, uma institui-ção famosa pela sua competência, e a conseqüência deste equívoco – a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes.
No lead da reportagem da revista Época, novamente vemos uma instituição que é tematizada (o governo do Reino Unido), representada pelo participante Dizente,aquele que faz uso do Processo Verbal para ilocucionar algum ato de fala, que, neste caso, é um lamento em relação à morte de Jean Charles, uma espécie de condolências. O Adjunto Modal “não”, relacionado ao Processo Material “muda”, indica que o lamento por parte do governo britânico pode ser somente um ato ilocucionário de boa educação, não servindo assim para modificar a nova política desegurança que assola o Reino Unido.

O lead da matéria da revista Carta Capital inicia-se com um Absoluto (“Europa em pânico”) que
consiste em uma estrutura que não possui nem Transitividade e nem Modo Oracional. Essa estrutura faz com que os leitores não contestem a informação veiculada (BUTT et al., 2000). Tal Absoluto poderia ser parafraseado como “Europa está em pânico”, mas a exclusão doProcesso por parte do jornalista deve ser levada em conta, já que expressa sua visão acerca do even-to. Neste lead, “A morte de um brasileiro inocente” e “o terror” são Sujeitos Gramaticais e Temas do período, sendo Participantes do Processo Material e do Processo Mental, respectivamente. Ademais, a Circunstância “em segundo plano” mostra como a questão dos direitos civis precisa ser revista na...
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