Leishmaniose

Páginas: 19 (4563 palavras) Publicado: 18 de setembro de 2014
1 - INTRODUÇÃO
Algumas teorias tentam explicar a origem e difusão das leishmanioses em terras brasileiras (ALTAMIRANO-ENCISO et al., 2003). A partir de 1980, a primeira teoria, proposta por Juliano Moreira e Aguiar Pupo, sugeria que a origem das leishmanioses poderia ser mediterrânea, por notarem que os casos observados na Bahia de uma enfermidade chamada de “botão da Bahia” eram parecidos com“botão do Oriente” (Lindenberg, 1909). A segunda teoria é de que seria de origem andina, proposta por Rabello em 1925, que seria concluída através de peças de cerâmicas pré-colombianas. Essas teorias, no entanto, são consideradas imprecisas. Altamirano et al. (2003) sugerem a hipótese de que a doença é muito antiga, dispersou-se primeiro na selva alta sulamericana e posteriormente às terras quentes,nos limites do Brasil com a Bolívia e o Peru.
Marzochi et al. (1994) sugerem que a origem e difusão da doença em humanos tenha se iniciado na região amazônica, que o processo de dispersão para as outras áreas do Brasil seja recente, e que a migração dos nordestinos no ciclo da borracha para esta região e o regresso destes tenha propiciado a disseminação para outras regiões. Além disso, aberturade rodovias, mineração do ouro e exploração de madeiras também contribuíram para essa disseminação.
A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) tem o caráter antropozoonótico, por isso, ela pode acometer tanto o homem como várias espécies de animais silvestres e domésticos (MURBACK et al., 2011). Esta doença infecciosa e não contagiosa está relacionada às manifestações clínicas de pele e mucosa. Aetiologia desta refere-se a espécies de um protozoário flagelado que é parasita intracelular de macrófagos, cujo gênero é Leishmania e as espécies mais comuns no Brasil são Leishmania (Viannia) guyanensis, L. (Viannia) braziliensis, e L. (Leishmania) amazonensis (GALVÃO et al., 2000). Possui um ciclo de transmissão heteroxeno, cujos vetores são insetos hematófagos da subfamília Phebotominae,sendo Lutzomya, o gênero mais comum (MURBACK et al., 2011).
A LTA apresenta-se sob diferentes formas clínicas, que pode ser leishmaniose tegumentar cutânea, mucocutânea e a cutânea difusa (JUNIOR et al., 2009). As manifestações clínicas são determinadas pela característica do hospedeiro, pela espécie de leishmania envolvida e resposta imune do indivíduo infectado (ALMEIDA et al., 2011). A formacutânea típica da leishmaniose tegumentar surge no local da picada do vetor, nas áreas mais expostas do corpo, como o nariz, por exemplo. A partir de uma pequena pápula inicial, evolui para uma úlcera apresentando bordas elevadas, geralmente a ferida é indolor (GONÇALVES et al., 2009). A forma tegumentar está listada entre as oito doenças infecto-parasitárias de maior importância pela OMS (PEREIRA &FONSECA, 1994).
A leishmaniose visceral, também conhecida como calazar e febre dundun, é uma doença emergente e negligenciada que apresenta ampla distribuição mundial e está presente nas cinco regiões do Brasil. Por este motivo, tem grande impacto na saúde publica brasileira (BOTELHO & NATAL, 2009; LOPES et al., 2010).
O agente etiológico principal da leishmaniose visceral no Brasil é oprotozoário Leishmania chagasi, embora já se tenha descrito Leishmania amazonensis e Leishmania braziliensis (JUNIOR et al., 2009), transmitido ao homem por meio da picada de flebotomíneos fêmeas da espécie Lutzomyia longipalpis (BOTELHO & NATAL, 2009). A partir da transmissão, a doença pode apresentar variações clínicas em indivíduos acometidos, que vão desde casos assintomáticos até quadros clássicos daparasitose. Depois da infecção cutânea localizada, o protozoário pode atingir linfonodos, fígado, baço, rins e células como os macrófagos, através dos vasos sanguíneos e/ou linfáticos, instalando assim, a forma clássica da patologia. Febre, hepatoesplenomegalia e pancitopenia são descritos com sendo a tríade sintomatológica da leishmaniose visceral (OLIVEIRA et al., 2010; BOTELHO & NATAL,...
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