Justiça

Páginas: 11 (2529 palavras) Publicado: 26 de maio de 2011
Resenha sobre o documentário Justiça, de Maria Augusta Ramos

O filme Justiça é um documentário gravado quase integralmente no interior do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em que com uma câmera parada e observadora expõe o cotidiano dos réus, da defensoria pública, da promotoria, da polícia e dos juízes.

O documentário consegue mostrar, acompanhando três casos diferentes, aineficiência no Tribunal de Justiça.

Tendo como sua primeira cena, uma audiência em que um paraplégico é acusado de um delito em que não existem provas nem testemunhas além dos policiais que efetuaram sua prisão e que, além disso, o réu teria pulado um muro para fugir dos policiais, Justiça mostra a verdadeira injustiça chamada Sistema Judiciário Brasileiro.

Julgando cerca de dezaudiências por dia, é impossível que um juiz consiga ser eficiente, além da frieza com que julga os processos. Frieza essa, que podemos observar na cena em que o réu, deficiente físico sem uma perna, pede para que seja transferido para um hospital, já que em sua cela, por conta da lotação, não tem como ficar na cadeira de rodas e se arrasta pelas fezes e urina dos outros detentos, e que o magistrado dizque nada pode fazer por ele.
Com uma polícia corrupta, provas implantadas, ausência de testemunhas por conta do medo da polícia e do tráfico, ausência de penas alternativas, a promotoria pública junto a uma defensoria antiética, completam o quadro de injustiça. Em uma cena chocante, o réu Carlos Eduardo jura de pés juntos à juíza que a acusação feita a sua pessoa é inverídica, e confessa parasua defensora que realmente é culpado, essa ultima, antiética, briga pela absolvição do acusado, colocando em risco sua própria família, com a idéia de que as carceragens já estão superpovoadas.
Com uma simples câmera, e diferentemente dos outros documentários pois não acontecem entrevistas, Maria Augusta alertou a sociedade sobre o caos carcerário existente no Rio de janeiro. Mesmo sabendoque esse não é somente um problema carioca, ao mostrar o interior da Polinter, observamos centenas de pessoas empilhadas dentro de celas, que nem mesmo a Sociedade Protetora dos Animais permitiria que abrigassem animais. Sem nenhuma política de reeducação e reinserção na sociedade, aquilo se torna mais um antro de marginalidade, onde os detentos acabam saindo piores do que quando entraram.Originalmente, o documentário Justiça faz um alerta para a reforma que o sistema judiciário necessita. Ao filmar o interior de um tribunal consegue retratar com delicadeza que não é colocando os marginais na cadeia que resolveremos o problema de violência no Brasil.
Os protagonistas de um julgamento, como Juízes, Advogados, funcionários e Representantes do Ministério Público, agem como outrosprofissionais que lidam com a vida humana: imparciais, frios, insensíveis, apenas cumprindo o seu dever, como um funcionário público deve ser, afinal é assim que reza o principio da imparcialidade estatal.

Alguns até discordam do sistema, como é o caso da defensora pública que meio frustrada, em conversa informal afirma que só os “pé-de-chinelo” são presos. Mas é apenas um desabafo,submete-se a lei e a obedece rigorosamente.

A disparidade social é tão visível quanto à realidade de cada envolvido, enquanto os envolvidos com os crimes direta e indiretamente, são oriundos, em sua maioria absoluta, de habitantes de subúrbios, de favelas, de baixa renda ou de pessoas que estão até mesmo abaixo da linha de pobreza, cujas famílias são desestruturadas, de poucas oportunidades e combaixo nível educacional, os outros, aplicadores da lei, estão no outro extremo, vivem confortavelmente, têm poder aquisitivo superior, famílias bem estruturadas do ponto de vista social e nível educacional elevado.

Ser preso, muitas vezes de forma inadequada pelo Estado, na pessoa dos policiais, aguardar o julgamento, período terrível de ansiedade, finalmente a sentença, ouve a leitura...
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