José rodrigues dos santos - a filha do capitão

Páginas: 762 (190306 palavras) Publicado: 7 de abril de 2013
José Rodrigues dos Santos

A Filha do Capitão

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JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS nasceu em 1964 em Moçambique. Tal como a esmagadora maioria dos portugueses, alguns dos seus antepassados estiveram envolvidos na Grande Guerra, na Flandres e em África, e este romance é o tributo que lhes presta. Apesar da faceta de romancista, o autor é sobretudo conhecido como jornalista. Iniciou a carreirajornalística em 1980, na Rádio Macau. Trabalhou na BBC, em Londres, entre 1987 e 1990, e seguiu para a RTP, onde começou a apresentar o 24 Horas. Em 1991 passou para a apresentação do Telejornal e tornou-se colaborador permanente da CNN de 1993 a 2002. Doutorado em Ciências da Comunicação, é professor da Universidade Nova de Lisboa e jornalista da RTP, ocupando por duas vezes o cargo de director deInformação da televisão pública. É um dos mais premiados jornalistas portugueses, tendo sido galardoado com dois prémios do Clube Português de Imprensa e três da CNN.

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José Rodrigues dos Santos/Gradiva - Publicações, L.a Revisão do texto: José Soares de Almeida Capa: Armando Lopes Fotocomposição: Gradiva Impressão e acabamento: Multitipo - Artes Gráficas,

1. edição: Novembro de 2004Depósito legal n. 217376/2004

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Ao meu bisavô materno, o cabo Raúl Campos Tetino, que morreu após ser gaseado na Grande Guerra Ao meu avô paterno, o capitão José Rodrigues dos Santos, que serviu no conflito de 1914-1918.

“O pensamento mais fugaz obedece a um desenho invisível.” JORGE LUÍS BORGES, O Aleph “O sentido do mundo emerge fora do mundo. No mundo, tudo é como é e acontece comoacontece.” “É muito difícil para os que fizeram a guerra lutar nos campos das letras com os paisanos que a descrevem à retaguarda em livros ou nos grandes jornais. Para se desenhar em termos um acto heróico é preciso pelo menos um recuo de duzentos quilómetros. De perto, a heroicidade confunde-se demasiadamente com as cousas que de heróico não têm a mínima parcela.” ANDRÉ BRUN, A Malta das Trincheiras4

I Afonso e Agnes
Foi logo em pequeno que Afonso da Silva Brandão percebeu que a vida era uma estrada incerta, repleta de cruzamentos, bifurcações, pontes, túneis e becos, e que cada caminho encerrava um sem-número de mistérios, de segredos por desvendar e de enigmas por decifrar. Animado por uma curiosidade persistente e estimulado por uma inteligência viva e intuitiva, cedo começou asuspeitar de que o mundo era um sítio estranho, um enorme palco de ilusões, traiçoeiro e dissimulado, um dúplice jogo de espelhos onde tudo parecia caótico mas se revelava afinal ordenado, onde as coisas tinham certamente um sentido, mas não necessariamente um significado. Pressentiu, aliás, que era precisamente na existência de um significado que principiava o enigma do significado da existência.Chegaria o tempo em que se interrogaria repetidamente sobre esse grande segredo, talvez um dos maiores e mais velhos mistérios do universo. A questão do significado da existência. O destino. Iria então tentar decifrar o sinuoso percurso da vida, o inefável caminho que os dias percorrem, um após outro, arrastando-o numa direcção obscura, a rota talvez previamente definida, quem sabe se escolhida por siou forçada pelas circunstâncias, certamente conduzindo-o através de uma labiríntica rede até ao inescapável fim, como se as coisas fossem fruto de uma conspiração na sombra, preparada por agentes sem rosto numa fantástica conjuração secreta. Procuraria aí a resposta para o enigma que o apoquentava. Quando esse tempo viesse, Afonso suspeitaria de que a vida era afinal uma tragédia, ou talvezapenas uma grandiosa peça imaginada por um dramaturgo sem nome e representada por actores sonambulescos, intérpretes involuntários de um enredo desconhecido, personagens a quem ninguém jamais teve a gentileza de explicar a trama da história, a intriga que estava afinal determinada mas permanecia indeterminável. Talvez essa visão fosse fruto das circunstâncias particulares da sua existência, da...
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