inserção global do México

Páginas: 5 (1049 palavras) Publicado: 1 de dezembro de 2014
HIERNAUX-NICOLAS, Daniel. Globalização e Exclusão no México: Um Enfoque Sociogeográfico. In: SILVEIRA, M.L. Continente em Chamas- Globalização e Território na América Latina. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

A proposta do texto, segundo o autor, é analisar os efeitos da globalização no México. Daniel Hiernaux-Nicolas afirma que busca realizar esta análise com uma visão menos“macro” do que o habitual entre os geógrafos, que deste modo tendem a diminuir a proporção do fenômeno da globalização- “lentes do estruturalismo redutor”.

O México tem seu território modificado por influências da globalização a partir de 1982, quando o modelo que sua economia herdara da Revolução Mexicana é substituído- sendo esta responsável pela derrubada do ditador Porfirio Díaz, cujo governorepresentou a primeira tentativa de modernização mexicana. Os governos pós-revolucionários, em sua maioria, procuraram o desenvolvimento e, com êxito, as medidas desenvolvimentistas promoveram um crescimento “milagroso” do país.

O modelo de desenvolvimento sob o qual o território mexicano avançava era o que se entende por “fordismo periférico estatal”: tentativas de reorganizar o território apartir de estímulos estatais. Neste período, além de avançar economicamente, o México também viu consolidado o seu processo de urbanização.

Em contraste ao caráter positivo desses dois pontos, o modo de desenvolvimento desse tipo agravou, em razão da urbanização acelerada, a concentração (formação de metrópoles), a desigualdade regional (haja vista a concentração em torno da Cidade do México,Guadalajara e Monterrey) e desempregos- “vastos setores da população urbana, ainda nas metrópoles, ficaram à margem do crescimento ou pelo menos entrando e saindo das atividades formais.” (P.27). Figurava-se, em vista da concentração, uma realidade mexicana de exclusão.

Como tentativa de superá-la, os governos de 1970 a 1982 se esforçaram para que houvesse uma redistribuição regional e, já no fimdeste período, o país conseguiu reduzir a taxa de desigualdade demográfica. Na gestão presidencial de José López Portillo (1976-1982), foram feitos, entre outros, esforços de abertura ao estrangeiro. O Programa de Portos Industriais desenvolvido foi uma “abertura restrita” que permitiu a construção de empresas que abastecessem o mercado interno e também exportassem parte da produção.

O modelo“fordista periférico estatal” acabou em razão da drástica queda dos preços do petróleo em 1981, o que derrubou todos os projetos de reorganizar o território a partir de estímulos estatais.

A gestão que sucedeu Portillo, de Miguel de la Madrid (1982-1988), recebeu o país em situação de risco pós-crise do petróleo e também devido às medidas da que a antecedeu- entre elas a nacionalização dos bancos,que afetava investimentos internacionais. Assim, a pressão- nacional e internacional- sobre o novo presidente se intensificava.

Frente a isso, Miguel, sem hesitar, teve de assinar uma carta de intenções com o Fundo Monetário Internacional e tomar medidas de redução de gastos públicos, reestruturação da dívida pública, diminuição de empregos públicos e entre outros. O resultado foi oempobrecimento da população mexicana e, considerando à abertura do México ao capital estrangeiro, a desvantagem das indústrias nacionais.

“(...) o setor industrial não foi favorecido da mesma maneira, muito pelo contrário: observou-se nesse sexênio uma redução importante do emprego e da atividade industrial, não apenas pela ausência de crescimento, mas, e talvez, sobretudo, por uma medida exemplar quese impôs no México: a abertura unilateral das fronteiras com desoneração de tarifas para o comércio exterior”. (P.31). Em razão disso, o efeito territorial sobre o país foi a migração da concentração em torno da Cidade do México para centros de velho tipo de produção industrial, o que consistia no crescimento das cidades médias. A abertura também promoveu o crescimento – acelerado- das...
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