individuos

Páginas: 23 (5560 palavras) Publicado: 5 de junho de 2015
Revista da Faculdade de Letras — Geografia
I Série, Vol. X/XI, Porto, 1994/5, pp. 5-18.

(Sub)úrbios e (sub)urbanos - o mal estar da
periferia ou a mistificação dos conceitos?*
Álvaro Domingues

- A cidade - insistes em perguntar.
- Vimos cá trabalhar todos os dias responder-te-ão uns, e outros: Voltamos cá para dormir.
- Mas a cidade onde se vive? perguntas.
- Deve ser para ali - dizem, e unserguem o braço obliquamente na
direcção de uma incrustação de
poliedros opacos, enquanto outros
indicam para trás das tuas costas o
espectro de outras cúspides.
in ítalo Calvino, "As Cidades Invisíveis"

1, A condição periférica, variações em torno do conceito
Os conceitos de periferia urbana e de subúrbio banalizaram-se de tal
forma que é hoje difícil encontrar uma definição clara e consensualdesses
conceitos. Não admira que assim seja. Esses conceitos são usados
normalmente de uma forma negativa e relativizada, isto é, por contraposição a um centro.
É o grau de afastamento a um centro que clarifica a posição periférica
(física, social, morfológica, etc.) e esta é-o tanto mais quanto maior é a
visibilidade, o posicionamento, o poder e a clareza dos atributos da
condição central. Enquantoagregado social, a periferia define-se, por isso e
também, não pela densidade ou pela intensidade do interrelacionamento
interno ao nível local, mas sim pela dependência, pela subalternidade face
às áreas centrais e aos locais de destino dos habitantes-pendulares.
O subúrbio é uma das variantes da condição periférica, normalmente
contextualizada num padrão de urbanização que atingiu uma escalaTexto da comunicação que posteriormente viria a ser apresentada, em Fevereiro de 1996, ao
III Congresso Português de Sociologia, Lisboa.
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(Sub)úrbios e (sub)urbanos - o mal estar da periferia ou a mistificação dos conceitos?

dimensional alargada. O conceito é, por isso, estranho à cidade de escala
reduzida, sendo, ao contrário conotado com formações urbanas complexas e
territorialmentecentrífugas: a metrópole, a megalópole (GOTTMANN,
1961), a "metapolis" (ASCHER, 1995).
A identificação de um subúrbio, qualquer que ele seja
independentemente do tempo ou do lugar, implica uma ideia de
fragmentação do espaço urbano. A cidade compacta, de limites precisos,
estilhaça-se num conjunto de fragmentos distintos onde os efeitos de
coesão, de continuidade e de legibilidade urbanística, dão lugar aformações
territoriais urbanas complexas, territorialmente descontínuas e ocupando
territórios cada vez mais alargados. Nesta concepção, o subúrbio é a
margem, o extra muros, o território impreciso e não consolidado do ponto de
vista urbanístico; espécie de reserva fundiária de um crescimento urbano de
tipo extensivo e submetido, ora a um processo de planeamento
extremamente regulado (os "grandsensembles" residenciais do pós-guerra
ou as Cidades Novas, em França, por exemplo), ora a processos
espontâneos de urbanização de maior ou menor densidade pouco ou nada
regulados por qualquer figura de plano e, quase sempre, caracterizados por
níveis muito baixos de infraestruturação básica. A periferia espontânea
constrói-se, por isso, segundo um processo errático, formado por sucessivas
adições,fruto de milhares de decisões isoladas e de escala e perfil funcional
muito diverso: a racionalidade do planeamento é substituida pela dinâmica
do investimento privado e pela variabilidade do mercado; a forma urbana
resultante é, à primeira vista, não estruturada, caótica, incompleta,
labiríntica e instável.
Independentemente do escalão social dos seus ocupantes, o subúrbio
é quase sempre analisadoenquanto lugar predominantemente residencial:
desde a precaridade e a marginalização social do subúrbio desqualificado
típico das "cinturas vermelhas" das periferias metropolitanas
industrializadas, aos subúrbios luxuosos das cidades americanas. No
modelo racionalista o subúrbio é, por isso, o lugar da reprodução social,
quer em contexto de forte intervenção do Estado-Providência (os HLM...
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