Importante

Páginas: 56 (13829 palavras) Publicado: 6 de junho de 2015
A TEORIA DA ESCOLHA
RACIONAL NA CIÊNCIA POLÍTICA:
Conceitos de racionalidade
em teoria política*
John Ferejohn e
Pasquale Pasquino

Introdução1
Teorias da escolha racional de vários tipos
tiveram um impacto enorme na forma como a
Ciência Política foi desenvolvida, ao menos nos
Estados Unidos. Até o momento, entretanto, esse
impacto tem se limitado, em grande medida, às
partes mais empiricamenteorientadas da disciplina, principalmente os estudos de política americana, relações internacionais e política comparada.
Normalmente, teorias da escolha racional são definidas como positivas, em oposição a teorias normativas. O principal objetivo das primeiras é desenvolver teorias preditivas bem-sucedidas em Ciência Política.
Na sua maior parte, a teoria da escolha
racional entrou na CiênciaPolítica a partir da
Economia, como resultado dos trabalhos pioneiros
de Anthony Downs, James Buchanan, Gordon
Tullock, George Stigler e Mancur Olson. Embora
esses autores possam ter discordado em inúmeros

*

Conferência proferida no XXIII Encontro Anual da
Anpocs, Caxambu, MG, outubro de 2000.
Tradução de Eduardo Cesar Marques.

aspectos entre si, todos adotaram uma interpretação particularmentematerialista da teoria da escolha racional. Para todos eles, os agentes sociais
estariam interessados na maximização da riqueza,
de votos, ou de outras dimensões mais ou menos
mensuráveis em termos de quantidades e sujeitas a
constrangimentos de recursos materiais. Todas as
teorias resultantes se estruturam da mesma forma:
as escolhas feitas pelos agentes devem ser explicadas em termos da variabilidadedos constrangimentos materiais enfrentados por eles. Essa visão,
que podemos chamar de “externalista”, constituise em uma metodologia eficiente de construção de
uma ciência social positiva. Mas ela não exaure a
relevância da racionalidade na Ciência Política.
Na verdade, acreditamos que a situação atual
é duplamente irônica. Em primeiro lugar, as próprias teorias da escolha racional são mais bemclassificadas como teorias normativas do que como
teorias positivas. Ninguém realmente acha que os
seres humanos reais se comportam exatamente
como as teorias da escolha racional prescrevem. E
isso não se deve a desvios ocasionais ou erros. As
evidências experimentais existentes em grande
abundância sugerem que as pessoas se desviam
sistematicamente das predições da teoria da escoRBCS Vol. 16 no45 fevereiro/2001

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REVISTA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS SOCIAIS - VOL. 16 N

lha racional. Ainda assim, mesmo não agindo
racionalmente, as pessoas tendem a reconhecer a
força normativa da racionalidade, e isso influencia
as suas ações — que se aproximam ao menos um
pouco daquilo que criaturas de racionalidade ideal
fariam nas mesmas circunstâncias.
Em segundo lugar, como sustentaremos no
presenteartigo, teorias políticas normativas apóiam-se fundamentalmente em suposições de racionalidade. Assim, parece-nos especialmente interessante que as teorias da ação racional como as
discutidas aqui não tenham avançado muito entre
teóricos normativos da política. 2
Acreditamos que essa separação entre teoria
normativa e teoria positiva é não apenas estranha
mas, pode-se sustentar, de origem bastanterecente, especialmente quando se considera a longa
história da teoria política. Ao longo deste artigo
vamos sustentar que, tradicionalmente, teóricos
políticos adotaram pressupostos de racionalidade,
ao menos implicitamente, por duas razões interrelacionadas. Em um primeiro nível, teorias normativas são endereçadas a agentes racionais, preocupados com a crítica de práticas correntes ou com oestabelecimento de novas. O teórico interessado
em persuadir uma audiência que se presume que
responde à razão a inclui em sua visão a respeito
de arranjos sociais e políticos. O objetivo do
teórico é nos convencer de como a vida política
deveria ser vivida, e tentando fazer isso nos trata
como capazes de acompanhá-lo na contemplação
de como as instituições alternativas ou os sistemas
normativos iriam...
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