Identidade cultural e consciência nacionalista nas literaturas africanas

1986 palavras 8 páginas
Identidade cultural e consciência nacionalista nas literaturas africanas
Não há como negar o fato de que, de certa maneira, a literatura reflete a sociedade na qual ela se encontra invariavelmente inserida. Por mais que alguns críticos e teóricos defendam a separação radical entre literatura e sociedade, numa acirrada defesa da literariedade, há um fator determinante nessa discussão: ambas, literatura e sociedade estabelecem entre si uma relação necessária de interdependência, na medida em que se trata de conceitos marcados por um sentido de reciprocidade, sendo possível equacionar – numa mesma obra – tanto a natureza essencialmente estética da literatura quanto a conformação fundamentalmente política da sociedade.
Portanto, ligadas entre si de forma quase inexorável, trazem consigo, contudo, todas as contradições que lhes são inerentes, motivo pelo qual é relativamente comum percebermos a representação artística, em determinadas obras literárias, das várias incertezas, dos diversos equívocos e das múltiplas contradições do próprio tecido social. Por isso, de uma noção verdadeiramente mítica, a arte passou a ser entendida como uma manifestação autenticamente cultural, sujeita a todas as vicissitudes que essa ideia possa acarretar: a arte como categoria idealizada da criatividade humana, proveniente da inspiração inacessível aos homens comuns – como era entendida, por exemplo, pelos românticos –, abandonou definitivamente essa condição supra-humana para se colocar como criação da mais pura vontade do homem e da sociedade.
No caso das chamadas sociedades emergentes, como é o caso dos países africanos de expressão portuguesa, a literatura está claramente – mas, não, exclusivamente, como nas sociedades de regime totalitário – a serviço de uma determinada ideologia e, via de regra, como manifestação prática de uma causa revolucionária, num claro processo de regeneração de uma identidade cultural. De sociedades emergentes, surgem estéticas igualmente emergentes,

Relacionados

  • Cultura, literatura dos países lusófonos
    1203 palavras | 5 páginas
  • Colonizacao, indigenato e planos de fomento em Africa e em Mocambique
    8459 palavras | 34 páginas
  • Colonizacao, indigenato e planos de fomento em Africa e em Mocambique
    8459 palavras | 34 páginas
  • Quero ser tambor
    3834 palavras | 16 páginas
  • Redaçao
    3945 palavras | 16 páginas
  • A literatura portuguesa produzida na africa
    1864 palavras | 8 páginas
  • Slidee
    16989 palavras | 68 páginas
  • Panorama das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa 22
    1483 palavras | 6 páginas
  • Noemia Sousa
    1706 palavras | 7 páginas
  • NOEMIA DE SOUSA: POESIA COMBATE EM MOÇAMBIQUE
    7049 palavras | 29 páginas