ictor Hugo e a História da Arquitetura

Páginas: 10 (2463 palavras) Publicado: 9 de abril de 2014
O livro vai matar o edifício.

A invenção da imprensa é o maior acontecimento da história. É a revolução-mãe. É o modo de expressão da humanidade que se renova totalmente, é o pensamento humano que se despojando de uma forma e vestindo outra, é a completa e definitiva mudança de pele dessa serpente simbólica que, desde Adão, representa a inteligência.

Sob a forma impressa, o pensamentohumano é mais imperecível que nunca. É volátil, impalpável, indestrutível. Mistura-se ao ar. No tempo da arquitetura fazia-se montanha e apoderava-se de um século e de um lugar. Agora, faz-se revoada de pássaros, espalha-se aos quatro ventos e ocupa-se ao mesmo tempo todos os pontos do ar e do espaço.

Nós repetimos, quem não vê que dessa forma ele é bem mais indelével? De sólido que era, tornou-sevivaz. Ele passa da duração no tempo para a imortalidade. Pode-se demolir uma massa, mas como extirpar a ubiqüidade? Venha um dilúvio. A montanha terá desaparecido há muito sob as ondas, mas os pássaros ainda voarão. E, se um único arco boiar na superfície do cataclismo, eles nele pousarão, flutuarão com ele, estarão presentes com ele ao recuo das águas, e o novo mundo que surgirá desse caos verá,ao acordar, planar acima dele, alado e vivo, o pensamento do mundo engolido.

E quando se observa que esse modo de expressão é não somente o mais conservador, mas ainda o mais simples, o mais cômodo, o mais praticável a todos; quando se reflete que ele não carrega uma grande bagagem e não coloca em movimento um pesado equipamento; quando se compara o pensamento obrigado por se traduzir emedifício a pôr em movimento quatro ou cinco artes e toneladas de ouro, toda uma montanha de pedras, toda uma floresta de escoras de madeira, todo uma população de operários, quando o comparamos com o pensamento quê se faz livro, ao qual é suficiente um pouco de papel, um pouco de tinta e uma pena, como se espantar que a inteligência humana tenha abandonado a arquitetura pela imprensa? Corte bruscamente oleito primitivo de um rio com um canal escavado abaixo de seu nível, o rio desertará seu leito.

Também veja como a partir da descoberta da imprensa, a arquitetura disseca-se pouco a pouco, atrofia-se e desnuda-se. Como se percebe que a água baixa, que a seiva se esvai, que o pensamento dos tempos e dos povos se afasta dela! O resfriamento é quase imperceptível no século XV, a imprensa é aindamuito débil e tira da poderosa arquitetura, quando muito, uma superabundância de vida. Mas, a partir do século XVI, a doença da arquitetura é visível, já não mais exprime essencialmente a sociedade, faz-se miseravelmente arte clássica. De gaulesa, de européia, de indígena, torna-se grega e romana; de verdadeira e moderna, torna-se pseudo-antiga. É essa decadência que sé chama Renascença.Decadência magnífica, no entanto, pois o velho gênio gótico, esse sol que se põe atrás da gigantesca prensa de Mayence, penetra inda por algum tempo, com seus últimos raios, todo esse amontoado híbrido de arcadas latinas e de colunatas coríntias.

É o sol se pondo que tomamos por uma aurora.

Contudo, no momento em que a arquitetura não é mais que uma arte como qualquer outra, que não é mais a artetotal, a arte soberana, a arte tirana, ela não tem mais a força de reter as outras artes. Elas, então, emancipam-se, quebram o jugo do arquiteto, e cada uma vai para o seu lado. Cada uma delas ganha com esse divórcio. O isolamento engrandece tudo. A escultura torna-se estatuária, as imagens tornam-se pintura, o cânon torna-se música. Dir-se-ia um império que se desmembra com a morte de seu Alexandre ecujas províncias se fazem reinos.

Daí Rafael, Michelangelo,Jean Goujon, Palestrina, os esplendores do deslumbrante século XVI.

Ao mesmo tempo que as artes, o pensamento emancipa-se para todos os lados. Os heresiarcas da Idade Média já haviam feito largos entalhes no catolicismo. O século XVI quebra a unidade religiosa. Antes da imprensa, a Reforma tinha sido apenas um cisma, a imprensa...
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