Historiador

Páginas: 10 (2398 palavras) Publicado: 28 de setembro de 2014
Publicado pela primeira vez na França no ano de 2003, e recentemente traduzido no Brasil, o livro Regimes de Historicidade: Presentismo e Experiências do Tempo[1], do historiador francês François Hartog, se apresenta ao público brasileiro carregando consigo a responsabilidade de já ser considerado uma leitura indispensável para os atuais estudos da historiografia. Isso se deve tanto pela suacontribuição em oferecer instrumentos conceituais para uma reflexão sobre as dimensões temporais e os chamados tempos históricos, quanto no que se refere às suas discussões acerca do tempo presente (Nicolazzi, 2010. p.231; Rodrigues & Nicolazzi, 2012. p.352).

Nascido em 1946, François Hartog é professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales em Paris desde a década de 1980, onde ministraseminários de historiografia antiga e moderna (Rodrigues & Nicolazzi, 2012. p.352). A produção acadêmica do autor[2], em boa medida, encontra-se articulada sob o intuito de evidenciar a dimensão temporal que seria inerente não apenas à escrita histórica, mas, também a todas as relações humanas com o tempo. Para Hartog, é central a ideia de que estas relações sejam mediadas pelo que ele chama deregime de historicidade: categoria analítica construída pelo historiador que serviria para caracterizar uma "maneira de engrenar passado, presente e futuro ou de compor um misto das três categorias (...) a maneira como um indivíduo ou uma coletividade se instaura e se desenvolve no tempo" (Hartog, 2013.p.11-13).

O livro Regimes de Historicidade. Presentismo e Experiências do Tempo apresenta umaestrutura bastante clara, dividida em dois eixos temáticos principais: o primeiro, intitulado "Ordem do Tempo 1", apresenta três capítulos nos quais são discutidas, a partir do conceito de regime de historicidade, as relações entre o passado, o presente e o futuro em três estudos de caso específicos.

Em Ilhas da História (primeiro capítulo), François Hartog apresenta as contribuições daAntropologia ao ter evidenciado que as experiências do tempo e da história recorrentes no Ocidente não seriam similares àqueles apresentados em outros territórios, como os observados nas Ilhas Fiji ou no Havaí, por exemplo. Na esteira de Marshall Sahlins, Hartog argumenta que essas ilhas não seriam apenas ilhas na história, mas também "produtoras de história, conforme uma ordem do tempo e um regime dehistoricidade específico" (p.59) e que, essa diferença na maneira de lidar com o tempo teria passado por uma verdadeira situação experimental com o mal-entendido que culminou no sacrifício do Capitão Cook no Havaí (Hartog, 2013. p.56-61). A principal crítica que o autor tece ao trabalho do antropólogo, por sua vez, é pelo suposto fato de este não ter promovido comparações e/ou articulações com outrasformas de temporalidades históricas já mapeadas pela historiografia (Hartog, 2013. p.63).

No segundo capítulo, intitulado Ulisses e Santo Agostinho: das lágrimas à meditação, Hartog discorre acerca da experiência temporal de Ulisses na Odisséia de Homero: com efeito, a epopéia homérica seria carregada de um 'eterno retorno', onde o passado (de forma diferente das narrativas bíblicas) não existediante do 'puro presente' que recomeça a cada dia da vida de Ulisses (p.67-68). Na perspectiva do autor, o choro de Ulisses diante da intervenção do aedo seria a prova de que, enquanto homem do presente, Odisseu não consegue se reconhecer enquanto o herói da Guerra de Tróia de outrora devido ao não-conhecimento de um tempo passado, tendo, portanto, de encontrar-se na "dolorosa posição de deverescutar as narrativas de suas proezas na terceira pessoa (...) experienciando a maior distância de si de maneira brutal" (Hartog, 2013. p.77).

Ainda nesse capítulo, a experiência temporal no texto de Homero é comparada à dimensão do tempo presente nas obras de Santo Agostinho com o intuito de argumentar que o cristianismo teria modificado as relações das sociedades ocidentais com o tempo...
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