Historia da escravidão p crianças

Páginas: 25 (6104 palavras) Publicado: 8 de agosto de 2012
3. Relações Raciais e Culturais na Escravidão Brasileira

O regime alimentar brasileiro foi dos mais deficientes e instáveis. A ponto de Gilberto Freyre afirmar que “Por ele possivelmente se explicarão importantes diferenças somáticas e psíquicas entre o europeu e o brasileiro, atribuídas exclusivamente à miscigenação e ao clima (Freyre, 2002, p. 106). A monocultura e a pobreza química dosalimentos tradicionais contribuíram sobremaneira para a má alimentação da população local, além da irregularidade no suprimento e da má higiene na conservação e na distribuição de grande parte desses gêneros alimentícios. Por mais que certos autores exagerem na influência da dieta brasileira para o alto índice de mortandade (Freyre, 2002), deve-se admitir sua contribuição para o baixo crescimentovegetativo da população escrava e para a
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crescente necessidade de importar cativos, como já citado. Como lembra Rugendas, no Viagem Pitoresca Através do Brasil, a alimentação do negro teria sido parcimoniosa se não tivessem os negros a possibilidade de melhorá-la com frutas, legumes selvagens e mesmo caça (Freyre, 1998). Além disso, Rugendas salientaque os empregados do serviço doméstico tinham alimentação “boa”, melhor do que aqueles que trabalhavam no eito (Freyre, 1998). A base da alimentação consistia em feijão, angu, farinha e algumas vezes charque e toucinho – o inhame, a mandioca, a abóbora eram raros para os escravos. “A insistência com que os publicistas desse período recomendavam aos senhores que alimentassem melhor os escravos e lhesdessem melhor assistência é testemunho da insuficiência desse tratamento na maioria das fazendas” (Costa, 1999, p. 286). Mal nutridos, afetados por doenças, submetidos a intenso horário de trabalho, que atingia dezesseis a dezoito horas diárias, os escravos morriam em massa. A duração média da força de trabalho era de quinze anos. A mortalidade infantil atingia 88% (Costa, 1999). A necessidade deimportar escravos era crescente, como já mencionado. Convém ressaltar que os negros e mulatos livres tinham alimentação pior do que à dos escravos (Freyre, 1998). No Brasil, país com predominante influência católica, a preocupação com a religião dos escravos fez-se maior do que nos EUA e nas Antilhas. Os africanos

43 importados de Angola eram batizados em massa antes de saírem de sua terra equando chegavam ao Brasil aprendiam os dogmas e os deveres do catolicismo (Freyre, 2002). Traziam no peito a marca da Coroa Real como indicação de que foram batizados e por eles pagos os direitos (Freyre. 2002). Já os escravos trazidos de outras regiões da África geralmente só eram batizados ao chegar ao Brasil. Muitos dos escravos desejavam ser cristãos por que o negro sem batismo se senteinferior aos outros negros e brancos, sendo muitas vezes injuriados por serem pagãos (Boxer, 1967). Segundo Freyre (2002), os africanos chegados há muito tempo e já batizados se sentiam hierarquicamente superiores aos escravos recém chegados, esquecendo-se que um dia já passaram pela mesma situação. O batismo era obrigatório, pois antes deste os escravos eram tidos mais por animais do que por pessoas.Em boa parte das fazendas, evitava-se a formação de grupos homogêneos, o que possibilitaria a consciência de solidariedade entre os escravos e o subterfúgio (Costa, 1999).
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O método de desafricanização do negro “novo”, de recondicionamento do escravo, seguido no Brasil, foi o de misturá-lo à massa de ladinos – termo que designa comumente aqueles quejá falavam português; de modo que as senzalas foram escola prática do “abrasileiramento”. A iniciação do “escravo novo” na língua, na religião, nos costumes dos brancos, fez-se nas senzalas, os novos imitando os velhos (Freyre, 2002). Havia evidente hierarquia entre os escravos, da qual a “aristocracia” eram os escravos de serviço doméstico – incluídos mais no que Reis (1987) chamou de escravidão...
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