Gregório de matos

1156 palavras 5 páginas
Um destaque do Barrocoem língua portuguesa deve-se a poética de Gregório de Matos e Guerra. A poesia do escritor baiano, denominado de "Boca do Inferno", pode ser dividida em três grupos: a sacra, a amorosa e a satírica (vertente que justifica o seu epíteto). Entretanto, ainda que se modifique a temática ou a linhagem de seus textos, em todas as vertentes, o que é característico de Gregório é o seu intenso trabalho lúdico com a palavra poética, o que se manifesta nos trocadilhos, nas ambiguidades, nas construções metafóricas, hiperbólicas e antitéticas, bem como conceptista e cultista do Barroco. A poesia sacra de Gregório de Matos ficou consagrada graças às imagens fortes, ao sentimento exacerbado de contrição, ao desejo intenso de purgação do pecado, como exemplifica a voz poética do clássico soneto a seguir:
Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado, de vossa alta clemência me despido; porque quanto mais tenho delinqüido, vos tenho a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto um pecado, a abrandar-vos sobeja um só gemido: que a mesma culpa, que vos há ofendido, vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma ovelha perdida e já cobrada, glória tal e prazer tão repentino vos deu, como afirmais na sacra história:
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada, cobrai-a; e não queirais, pastor divino, perder na vossa ovelha a vossa glória. A partir da leitura do poema é possível traçar a síntese do raciocínio Barroco: cabe ao homem pecar e a Deus poder ajudar seus filhos. Assim, criador e criatura se unem pela consciência dos papéis que têm de execer: mecanismo pelo qual o Todo (Deus) habita a parte (ser humano). Essa concepção metonímica da existência divina (Todo) que está em todas as partes é também explorada por Gregório no seguinte soneto de linguagem lúdica e cultista.
O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga, que é parte, sendo todo.

Em todo o

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