Gregório de mattos, boca do inferno

Páginas: 14 (3488 palavras) Publicado: 18 de maio de 2012
Gregório de Matos Guerra nasceu em Salvador no ano de 1636. Legalmente, a nacionalidade de Gregório de Matos era portuguesa, já que o Brasil só se tornaria independente no século XIX.
Foi o primeiro poeta a cantar o elemento brasileiro, o tipo local, produto do meio geográfico e social. Influenciado pelos mestres espanhóis da Época de Ouro Góngora, Quevedo, Gracián, Calderón sua poesia é amaior expressão do Barroco literário brasileiro, no lirismo.
Foi batizado com o nome de João, mas o prelado D. Pedro da Silva Sampaio mudou seu nome para Gregório. O primeiro poeta brasileiro pertenceu a uma família de posses. Gregório de Matos Guerra era o terceiro filho, o seu pai, português natural de Guimarães, estabeleceu-se no Recôncavo baiano como senhor de engenho. Seu pai possuía doisengenhos de cana-de-açúcar e cerca de 130 escravos. Ao contrário dos irmãos mais velhos que não se adequaram aos estudos e dedicaram ajudar o pai na fazenda, Gregório recebeu instrução na infância e adolescência. Estudou no colégio de Jesuítas de Salvador e, como todo filho de pais abastados, seguiu para a Metrópole, com a idéia de estudar Leis, aos 14 anos de idade.
Matriculou-se na universidade deCoimbra aos 16 anos, em 1652. Saiu formado em 1661, ano em que se casou com Dona Michaela de Andrade. Não consta que tivesse filhos desta senhora. Neste período teve acesso ao rei Pedro II, de quem ganhou simpatia e favores. Passou alguns anos exercendo a profissão de magistrado em Portugal – foi juiz no Alentejo e em Lisboa.
Em 1672, é nomeado Procurador da Bahia (Senado da Câmara) em Lisboa,cargo de que será destituído em 1674. Em 1674, reconhece como sua uma filha natural, fora do casamento com Dona Michaela Andrade.
Em 1678, Gregório de Matos ficou viúvo e, em 1681, voltou ao Brasil, para exercer um cargo na arquidiocese baiana, trabalhando para o Arcebispo, como tesoureiro-mór. Apesar de investido em funções religiosas, não perdoa o clero nem o governador-geral (apelidado "Braço dePrata" por causa de sua prótese) com seu sarcasmo.

“A cada canto um grande conselheiro, 
que nos quer governar cabana, e vinha, 
não sabem governar sua cozinha, 
e podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um freqüentado olheiro, 
que a vida do vizinho, e da vizinha 
pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha, 
para a levar à Praça, e ao Terreiro.

Muitos mulatosdesavergonhados,
trazidos pelos pés os homens nobres, 
posta nas palmas toda a picardia.

Estupendas usuras nos mercados, 
todos, os que não furtam, muito pobres, 
e eis aqui a cidade da Bahia.”
(Soneto)

Na Bahia, leva uma vida boêmia e indisciplinada, improvisando versos, tocando viola, caçoando de toda gente, inclusive de membros da arquidiocese e de políticos.

“Este padre Frisão, este sandeu,Tudo o demo lhe deu e lhe outorgou,
Não sabe musa musae, que estudou,
Mas sabe as ciências, que nunca aprendeu.

Entre catervas de asnos se meteu,
E entre corjas de bestas se aclamou,
Naquela Salamanca o doutorou,
E nesta salacega floresceu.

Que é um grande alquimista isso não nego,
Que alquimistas do esterco tiram ouro,
Se cremos seus apógrafos conselhos.

E o Frisão as Irmãs pondoao pespego,
Era força tirar grande tesouro,
Pois soube em ouro converter pentelhos.”
(Soneto Padre Frisão)

Apesar disso, casou-se novamente com Maria dos Povos, à qual dedicou um dos seus mais belos e famosos sonetos, teve filhos e proteção de alguns bispos e governadores.

“Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teusolhos e boca o Sol e o dia,
Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora
Quando vem passear-te pela fria, 
Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trata a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada.
Oh não aguardes, que a madura idade,
Te converta essa flor, essa beleza,
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.”
(1º...
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