Gregório de Matos e a poesia barroca

Páginas: 7 (1594 palavras) Publicado: 9 de agosto de 2013
Gregório de Matos
-Um paralelo entre a poesia barroca e a sociedade brasileira dos dias atuais –
Natalia Melo

A poesia de Gregório de Matos estava voltada, esteticamente, para o Barroco europeu. No entanto, sua sátira, denunciadora dos abusos ocorridos no Brasil colonial, vinha estrear um tipo de literatura nacionalista que se afastava da linguagem formal europeia da época. Gregóriodemonstrou, em sua obra crítica, lamentação aos rumos tomados em sua terra, com o processo de ascensão da burguesia, durante as trocas comerciais que Portugal realizava com os produtos extraídos da colônia. Tais acontecimentos se assemelham com a maneira que a sociedade brasileira atual, principalmente a classe dominante, lida com a produção e comercialização de riquezas naturais aqui existentes.
Aliteratura que nascia no Brasil em tempos de colonização estava ligada ao Barroco europeu, visto que o Estado ainda não possuía características culturais bem delineadas, no que diz respeito a uma identidade nacional autônoma. No entanto, as condições vividas pelos colonizados eram muito diferentes da vida extravagante e pomposa que os lusitanos apreciavam em Portugal. Os colonos buscavam, nacolônia, a riqueza que seria ostentada e demonstrada através da arte Barroca enquanto, para os colonizados, restava uma vida voltada para a comercialização, exploração e escravidão. Neste cenário, Gregório de Matos, nome de destaque do Barroco brasileiro, inicia sua obra literária, que estava ligada esteticamente ao Barroco lusitano e que, apesar disso, se distanciava em alguns aspectos por estar, oautor, inserido à realidade da Bahia mercantil do século XVII. Sendo assim, sua lírica, que cantava temas relacionados à religião, ao amor e também a pensamentos filosóficos, correspondia ao Barroco Português, quanto à linguagem e estética. Já a satírica, cantava os problemas sociais e econômicos por ele vivenciados no Brasil colônia, mais precisamente na Bahia. Tal sátira utilizava linguagem altamentecoloquial e criticava, quase diretamente, diversas classes sociais envolvidas no processo de comercialização entre metrópole e colônia.
Nesta última, foco principal deste trabalho, pode-se perceber que Gregório de Matos estava decepcionado com o rumo em que sua terra estava tomando. Segundo Alfredo Bosi, em Dialética da colonização, p.98,



“A primeira metade do século XVII (quecorresponde ao tempo de infância do poeta) viu crescerem os engenhos e consolidar-se uma pequena nobreza luso-baiana. Esta beneficiava-se do franco amparo das leis metropolitanas, que chegavam até mesmo a sustar a execução de dívidas quando os empenhados fossem produtores de açúcar. [...] Mas a política protecionista declinou depressa na segunda metade da centúria à medida que a economia portuguesaentrava na órbita da Inglaterra e perdia a sua independência [...]”

O poeta vivenciou, quando criança, uma época de prosperidade que beneficiava a classe a que estava inserido, a dos senhores de engenho. E mais adiante, já adulto, foi obrigado a ver tal prosperidade declinar com a decadência de Portugal, que desencadeou numa crise econômica no Brasil com a queda dos preços do açúcar e a perda deregalias oferecidas pela metrópole, em favorecimento de “companhias estrangeiras, alguns latifundiários e a sólida classe dos intermediários, os comerciantes reinóis já enraizados nas praças maiores da Bahia...” (Bosi, 1992, p. 99). Aqui, surgia a ascensão de uma classe burguesa, em que a metrópole utilizava a mão de obra nativa para a extração de riquezas que eram exportadas, numa transaçãocomercial, que em nada favorecia aos trabalhadores ou produtores. Gregório, então, vem em sua obra expor seu sentimento de indignação nacionalista diante das injustiças cometidas com relação aos homens que aqui trabalhavam. Valendo ressaltar novamente, que este não pertencia à classe dos trabalhadores ou escravos, apenas não mais colhia os benefícios retirados das riquezas locais, sendo parte dos...
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