graduanda

Páginas: 5 (1189 palavras) Publicado: 22 de novembro de 2013
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Literaturas Africanas de Língua Portuguesa II – Moçambique

Cora de Andrade Ramos

Enquanto em alguns países africanos de colonização portuguesa se formaram
as Sociedades Crioulas, que agregavam os sincretismos culturais de mistura das
culturas africanas e portuguesas, em Moçambique essas associações nãoaconteciam,
ao contrário, os cidadãos dividiam-se em clubes esportivos específicos para brancos e
negros; e os mulatos sofriam a exclusão de ambos os grupos. O sentimento de nação
começa a surgir, então, lenta e tardiamente, após o fim da guerra civil. Uma
consequência direta dessa falta de unidade nacional é a baixa produção de narrativas
que expressassem a identidade cultural desse povo. No entanto,a poesia foi mais
expressiva, buscando identidade e espaço naquele território dividido.
José Luis Cabaço delineia essa divisão do povo em dois grandes grupos: “de um
lado, uma realidade pré-industrial, fundada na oralidade, limitadamente aculturada (...)
do outro, uma sociedade culturalmente industrial, impregnada do simbolismo da escrita
e da imagem”. É no segundo contexto que osintelectuais e os autores moçambicanos
que começam a escrever a partir da década de 1930 estão inseridos.
Nesse contexto, surge O Brado Africano, jornal que denunciava, pelas mãos
desses intelectuais, suas angústias e as injustiças cometidas contra o povo. Destinados
ao colonizador, eram escritos em língua portuguesa, tanto para firmarem sua posição
social, como para se fazerem compreender. Neleatuaram Rui de Noronha, como chefe
de redação; mais tarde José Craveirinha, como redator, Noémia de Souza, que
colaborava com textos e, menos engajado, Rui Knopfli.
Ao lado dos textos jornalísticos, surgia o texto poético. José Craveirinha escrevia
uma poesia que era, segundo afirmou, “ferramenta de reivindicação, uma ferramenta
em que eu me ocultava para me projetar depois”, os poemas tinham“sempre um

alcance social, sociopolítico”, além de serem também “muito um refúgio de dramas
interiores” (LABAN, 1998).
Craveirinha incorpora a oralidade à escrita apropriando-se de um tom narrativo,
característico da cultura oral, das estruturas dos contares tradicionais, produzindo uma
obra poética mais que simplesmente panfletária, ela recupera traços da cultura précolonial por meio dacontaminação oral-escrito, e cria um novo texto, com identidade
múltipla, assim como o povo moçambicano.
Para José Luis Cabaço, a literatura escrita é “uma arte que, situada fora do
universo da sociedade oral, traz em si elementos que, com maior ou menor intensidade
exprimem

superioridade”

(CABAÇO,

2004).

Com

esse

cenário,

Craveirinha

experimenta, em poemas em português, formasde incorporação da oralidade na
escrita, procura reconhecer marcas da cultura moçambicana e construir um diálogo de
universalidade, mesclando elementos da moçambicanidade e da africanidade, em uma
proposta de fusão, diante do retalhamento que existia em seus espaços sociais. Essa
temática é compreensível não só pelo contexto político em que vivia, mas também
pelos traços que a colonizaçãomarcou em sua história familiar: ele era mulato, filho de
uma negra e, na segunda união de seu pai, foi educado pela madrasta, branca.
Cresceu em um ambiente de convívio harmonioso entre essas partes e sofria
preconceitos, fora de casa, dos dois grupos étnicos.
Rui Knopfli, diferentemente, caminhou por outra trajetória e sua relação com
Moçambique é mais traumatizada: ele abre diálogo com anatureza e os espaços
africanos, mas esse mesmo diálogo fica incompleto pela ausência de interlocução com
outros sujeitos. Ele estudou na África do Sul e sua criação familiar foi bastante
europeizada. Com isso, ele se dizia africano, não moçambicano. Craveirinha, em
entrevista, conta que “éramos o verso e o anverso” (LABAN, 1998). Knopfli dizia que
tinha medo e não era um herói como os...
Ler documento completo

Por favor, assinar para o acesso.

Estes textos também podem ser interessantes

  • Graduanda
  • Graduanda
  • Graduanda
  • Graduanda
  • Graduanda
  • Graduanda
  • Graduanda
  • GRADUANDA

Seja um membro do Trabalhos Feitos

CADASTRE-SE AGORA!