Gottfried Wilhelm Leibniz Discurso de Metafisica

Páginas: 64 (15928 palavras) Publicado: 20 de julho de 2015
Gottfried Wilhelm Leibniz – Discurso de Metafísica
1. Da perfeição divina e que Deus faz tudo da maneira mais
desejável (souhaitable).
A noção mais aceita e mais significativa que possuímos de Deus
exprime-se muito bem nestes termos: Deus é um Ser absolutamente
perfeito. Não se tem considerado, porém, devidamente, suas
consequências e, para aprofundá-la mais, convém notar que há na
naturezavárias perfeições muito diferentes, possuindo-as Deus
todas reunidas e que cada uma lhe pertence no grau supremo.
É preciso, também, conhecer o que é a perfeição. Eis uma marca
bem segura dela, a saber: formas ou naturezas insuscetíveis do
último grau não são perfeições, como, por exemplo, a natureza do
número ou da figura; pois o número maior de todos (ou melhor, o
número dos números), bem como a maiorde todas as figuras implicam
contradição; mas a onisciência e a onipotência não encerram
qualquer impossibilidade. Por conseguinte, o poder e a ciência
são perfeições, e enquanto pertencem a Deus não têm limites.
Donde se segue que Deus, possuindo suprema e infinita sabedoria,
age de forma mais perfeita, não só em sentido metafísico mas
também moralmente falando, podendo, relativamente a nós,dizer-se
que, quanto mais estivermos esclarecidos e informados sobre as
obras de Deus, tanto mais dispostos estaremos a achá-las
excelentes e inteiramente satisfatórias em tudo o que possamos
desejar (souhaiter ).
2. Contra os que sustentam a inexistência de bondade nas obras
de Deus, ou então, que as regras da bondade e da beleza são
arbitrárias.
Assim, afasto-me muito dos que defendem a opinião daausência
de quaisquer regras de bondade e de perfeição na natureza das
coisas ou nas ideias que Deus tem delas, e que as obras divinas
são boas apenas pela razão formal que Deus as fez. Se assim fosse,
Deus, que bem sabe ser o seu autor, não precisava contemplá-las
depois e achá-las boas, como testemunha a Sagrada Escritura, que
parece ter recorrido a esta antropologia apenas para nos mostrar
quese conhece sua excelência olhando-as nelas mesmas, mesmo
quando não se faça reflexão alguma sobre essa pura denominação
extrínseca que as refere à sua causa. Isto é tanto mais verdadeiro
porque se pode descobrir o obreiro pela consideração das obras.
Portanto, é preciso que estas obras tragam em si o caráter de
Deus. Confesso que a opinião contrária me parece extremamente
perigosa e bastantesemelhante à dos últimos inovadores, cuja
opinião é a beleza do universo e a bondade atribuída por nós às
obras de Deus não passarem de quimeras dos homens que concebem
Deus à sua maneira.
Também me parece que afirmando que as coisas são boas tão só
por vontade divina e não por regra de bondade destrói-se, sem
pensar, todo o amor de Deus e toda a sua glória. Pois, para que
louva-lo pelo que fez, seseria igualmente louvável se fizesse
precisamente o contrário? Onde, pois; sua justiça e sapiência, se
afinal apenas restasse determinado poder despótico, se a vontade
substituísse a razão, e se, conforme a definição dos tiranos, o
que agrada ao mais forte fosse por isso mesmo justo? Ademais,
parece que toda vontade supõe alguma razão de querer, razão esta
naturalmente anterior à vontade. Eis por queme parece

inteiramente estranha a expressão de alguns outros filósofos
quando consideram simples efeitos da vontade de Deus as verdades
eternas da metafísica e da geometria, e por conseguinte, também,
as regras da bondade, da justiça e da perfeição. A mim, pelo
contrário, me parecem tão somente consequências do seu intelecto,
o qual seguramente em nada depende da sua vontade, assim como a
suaessência também dela não depende.
3. Contra os que creem que Deus poderia fazer melhor.
De forma alguma poderei também aprovar a opinião de alguns
modernos que ousadamente sustentam que aquilo que Deus produz não
possui toda perfeição possível e que Deus poderia ter agido muito
melhor. Pois julgo as consequências dessa opinião inteiramente
contrárias à glória de Deus: Uti minus malum habet...
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