GÊNERO E NORDESTE: RELAÇÕES DE PODER DO SUJEITO MASCULINO NO NORDESTE

Páginas: 16 (3967 palavras) Publicado: 13 de novembro de 2014
Resumo

As nossas práticas sociais e culturais legitimam imagens, objetos e discursos. O cinema se utiliza deles como meio de produzir identidades. O imaginário de que o nordestino é um ser rude e truculento nos leva a construirmos uma maneira própria de pensar sua masculinidade, consagrada, sobretudo na figura do “cabra-macho”. O presente trabalho tem como proposta abordar como essarepresentação atua por meio de construções, ou, até mesmo de desconstruções de uma cultura masculina, e, que se inscreve numa dialética de poder e dominação. A pesquisa foi feita a partir de dois filmes nacionais, O auto da compadecida e Lisbela e o Prisioneiro, ambos do diretor pernambucano Guel Arraes. A pesquisa neste mote busca compreender como a “naturalização” no cinema do ser masculino/nordestino estáestritamente relacionada aos signos associados ao Nordeste, em especial a sua paisagem, símbolos da seca e da aridez, espaço de resistência, de aspereza, de rudeza, que vão se inserindo na sociedade e corroborando com a construção do imaginário popular. A representação cultural do homem nordestino no cinema vai dessa forma tecendo múltiplas realidades, costumes e identidades que vão se delineandono constructo histórico espaço-cultural.
Palavras-chaves: Masculinidade. Nordeste. Cinema. História-Cultural.
1. Introdução

A escolha desta temática surgiu de uma inquietação historiográfica relativa às formas de como a textualidade do cinema se apropria da narrativa dramatúrgica e literária na constituição de figurações do masculino. Como afirma Michel de Certeau (CERTEAU, 2010, p. 79) ohistoriador “trabalha sobre um material para transformá-lo em história”. O cinema, como ícone da cultura de massa e elemento da cultura dita popular, também é responsável em fazer os sujeitos pensarem como se percebem enquanto identidades de gênero.
Com esta pesquisa, busquei contribuir com a historiografia que aborda os estudos sobre Nordeste, identidades e gênero, notadamente nos estudosacerca da masculinidade, que parecem a meu ver, serem sempre menos abordados em relação à historiografia que aborda sobre feminilidade. A importância da minha pesquisa se âncora não apenas na apropriação dos discursos já existentes como também na busca por um novo olhar sobre a discussão da masculinidade. Tento aqui escrever uma primeira sondagem, utilizando-me do que Roland Barthes chamou de classesde unidade de conteúdo (BARTHES, 1988, p.152).
Um novo processo implicou na ressignificação de conceitos como narrativa, cultura, linguagem, identidade, discurso, objeto e, fundamentalmente, sujeito; todos postos diante da lógica da diferença e da multiplicidade, lemas da revisão estruturalista das ciências humanas. A articulação dessas revisões criou para o campo histórico diversas configuraçõesque enfatizam (em menor ou maior grau) as micro-narrativas em detrimento das macro-narrativas da história das civilizações e do homem ocidental, abrindo brechas para sujeitos antes marginalizados pelo saber histórico. Experiência, esta, que objetivou tipos sociais, comunidades compartilhadas, processos de subjetivação, políticas culturais e os lugares de produção das verdades sociais. Nesteespaço buscaremos discutir e problematizar a relação entre História e Cultura, com ênfase na circularidade cultural e como a cultura histórica interage na construção do discurso do “ser homem nordestino”.

2. A História no cinema e o cinema na história

O cinema é uma das possibilidades dos estudos culturais e as pesquisas desenvolvidas nessa área estão aumentando nos programas de pós-graduação.Essas pesquisas, o que Alexandre Busko Valim (VALIM, 2012, p. 283) vai chamar de cultura literária cinematográfica, começam a ser feitas em meados do século XX. Marc Ferro, considerado um dos pioneiros nesses estudos, juntamente com Siegfried Kracauer, destaca no prólogo de seu livro Cinema e História (FERRO, 2010, p. 09) que “no início da década de 1960, a ideia de estudar os filmes como...
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