Freud - a provocação do ateísmo psicanalítico

Páginas: 15 (3703 palavras) Publicado: 30 de agosto de 2012
INSTITUTO BÍBLICO ESTRELA DE DAVI
BACHARELADO EM TEOLOGIA




FREUD: A PROVOCAÇÃO DO ATEÍSMO PSICANALÍTICO
FILOSOFIA DA RELIGIÃO




Carlos Eduardo
Marcio Gomes
Ronaldo Marinho
Smith Marques




Profª Josina Paulina



Rio de Janeiro
Junho de 2011
Sumário
1. INTRODUÇÃO 3
2. O QUE É SER PAI? 4
21. Três versões do pai. 4
3. CRITICA FREUDIANA À CRENÇA EM DEUS. 6
31.Ateísmo como Satisfação-de-Desejo Edipiano 9
32. O Complexo de Édipo 9
4. CONCLUSÃO 11
5. BIBLIOGRAFIA 13



1. INTRODUÇÃO
Na condição de um “incredulous Jew”, Freud não aceitava que a psicanálise fosse considerada uma ciência judaica. Contudo, fez questão de tornar claro que se fosse o caso de ligarem sua descoberta ao espírito judeu, não teria motivos para se envergonhar nem tampoucopara se sentir mais orgulhoso. Em relação à causa judaica, declarou que seu único serviço foi o de justamente nunca ter renegado sua origem, bem como nunca ter perdido a solidariedade para com seu povo. Por outro lado, Freud afirmou também, ter sabido tirar partido dessa origem para sustentar uma firme oposição à “maioria compacta” , a fim de defender a originalidade de suas descobertas. (Freud,1926).
No entanto, Freud foi igualmente um filho legítimo do Iluminismo e, em sua aposta na ciência, esse “judeu inteiramente ateu” (Freud, 1909/1939), encarou a religião como uma ilusão sem futuro e como a contrapartida da neurose que todo homem atravessa no caminho compreendido entre a infância e a maturidade. Atribuiu ao desamparo (Hilflosigkeit) infantil a fonte última de toda religião,defendendo com veemência este ponto de vista em inúmeras oportunidades.
Em carta dirigida a Putnam, Freud sublinha que “o Deus justo e a natureza benevolente são apenas as mais nobres sublimações de nosso complexo parental”. Dirigindo-se a Jung, assinala que, na impossibilidade de imaginar um mundo sem pais, o homem cria as “piores falsificações antropomórficas da imagem do universo de que podia tornar-seculpado”. (Freud, 1906/1914)
Em “Mal-Estar na Civilização” (1930[1929]), no momento em que Freud tem a intenção de se ocupar de temas como a felicidade, a civilização e o sentimento de culpa, adota como ponto de partida seu trabalho anterior, “O Futuro de uma Ilusão” (Freud, 1927), onde o anseio pelo pai e pelos deuses é descrito em função de uma tarefa tríplice: “exorcizar os terrores danatureza, reconciliar os homens com a crueldade do Destino, particularmente a que é demonstrada na morte, e compensá-los pelos sofrimentos e privações que uma vida civilizada em comum lhes impôs” (Freud, 1927). A proposta de Freud nesse ensaio é dar um tratamento psicanalítico ao problema da necessidade da religião para o homem e para a civilização. E, ainda que em “Mal-estar na civilização” acolha aidéia do “sentimento oceânico” - de ser um só com o grande todo” -, transmitida por seu amigo Roman Rolland, faz a ressalva de que essa primeira busca de um consolo religioso não poderia estar na origem da necessidade da religião.
2. O QUE É SER PAI?
Segundo o argumento de Freud, o que realmente está na origem da religião é uma necessidade infantil, ligada ao estado de dependência absoluta e ànostalgia do pai suscitada por tal estado. Deste modo, é secundariamente que o “sentimento oceânico” poderia estar relacionado à religião, já que não haveria nenhuma necessidade tão intensa quanto a da proteção de um pai. (Freud, 1930[1929])
À primeira vista, a relação assim estabelecida entre o desamparo humano e a necessidade de proteção de um pai não envolveria maiores problemas para serapreendida. Entretanto, ao longo de sua obra, Freud fez do pai uma questão “o que é um pai?”. Como toda pergunta, essa também não surge por acaso e muito menos de forma instantânea. A psicanálise nos ensina que o surgimento de uma questão já pode indicar o posicionamento daquele que a formula.
Nossa hipótese é que a pergunta “o que é um pai?” talvez esclareça menos da forma tão particular do ateísmo de...
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