Filosofia

Páginas: 18 (4454 palavras) Publicado: 27 de outubro de 2014
Crepúsculo dos ídolos – resumo ..
Ao prefaciar seu Crepúsculo dos ídolos, Nietzsche faz duas afirmações complementares: “existe poder de curar mesmo no ferimento” e “há mais ídolos do que realidades no mundo.” A filosofia de Nietzsche não é nem sistemática nem tampouco tributária da linguagem filosófica do século XIX.

Durante o século XX o iconoclasta alemão acabou se tornando ídolo. Emrazão disto, chegou o momento de voltar contra Nietzsche seu próprio método ou ausência dele.

A implicância do filósofo alemão com Sócrates é evidente. Ao longo de um capítulo ácido, ele procura demolir o ídolo grego. O problema de Sócrates, entretanto, é um monumento construído sobre as nuvens.

Sócrates não deixou uma só linha escrita. Sabemos que um homem chamado Sócrates viveu no século IVa.C., em Atenas, que se dedicou à filosofia e foi condenado a morrer tomando veneno. Nada mais sabemos!

Platão e Xenofonte referem-se a um tal Sócrates, que teria dito isto ou aquilo. Entretanto, como Sócrates nada deixou escrito não podemos verificar a veracidade das palavras atribuídas ao tal Sócrates por Platão e Xenofontes. Assim, não podemos descartar a hipótese de ambos terem construídouma personagem chamada Sócrates atribuindo a mesma suas próprias idéias.

Se voltasse contra Sócrates o princípio da dúvida irônica que lhe foi atribuída por seus discípulos (tudo que sei é que nada sei), Nietzsche certamente não perderia seu tempo em criticar uma personagem. Ao criticar uma personagem, o filósofo alemão pode ter criado um simulacro. Ironicamente nunca teremos condições desaber quando Nietzsche se refere ao homem Sócrates, que nada deixou escrito, ao personagem de Platão e de Xenofonte, ou ao simulacro que ele próprio criou da personagem.

Nos itens 2 e 3 do mesmo capítulo, Nietzsche refere-se às características de Sócrates: feio, oriundo do populacho, etc... Não existe um único registro confiável que nos permita com segurança dizer quais eram as característicasfísicas de Sócrates. As descrições feitas dele por terceiros estão sujeitas às preferências estéticas daqueles que as fizeram. Se realmente for verdadeira a informação que o homem Sócrates foi um hoplita e se distinguiu numa batalha, podemos admitir como razoável a seguinte conclusão: o homem Sócrates tinha uma constituição física apta para os rigores do serviço militar daquela época. Se ele era feioou bonito, isto não o impediu de demonstrar valor nos campos de batalha.

O julgamento que Nietzsche faz de Sócrates com base nas teorias raciais do século XIX é ridículo. Primeiro, porque o filósofo alemão não submete a julgamento as próprias teorias racistas que presumiu serem verdadeiras. Segundo, porque mesmo que pudesse admitir a veracidade das mesmas, o filósofo alemão não poderiaenquadrar o homem Sócrates segundo esta ou aquela característica racial. Falta-lhe o essencial: a análise científica do esqueleto do ateniense morto em IV a.C..

Todo homem é fruto de suas tendências, de seu próprio tempo e da sociedade em que foi criado. Os julgamentos que fizermos de nossa própria cultura sempre serão imprecisos e limitados e, sem dúvida alguma, entrarão em conflito com osjulgamentos feitos por aqueles que estão fora dela. Mas os julgamentos que fizermos dos fatos passados serão sempre sujeitos à fabulação.

Nietzsche critica a degeneração da sociedade ateniense ao tempo de Sócrates. Considera o próprio Sócrates responsável pela decadência de seu tempo. Platão e Xenofonte dizem que um tal Sócrates teria combatido a decadência de seu tempo. O homem Sócrates foi julgado,sentenciado e executado. Portanto, não podemos dizer que todos os atenienses consideravam seu tempo decadente. Platão e Xenofonte consideravam-no decadente, mas não podemos nos fiar apenas nas palavras de dois homens que moravam numa cidade com pouco mais de 40.000 habitantes (a maioria dos quais escravos). Tampouco podemos dizer que o homem Sócrates foi condenado por ser agente da decadência....
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