Filosofia Geral e Jurídica

Páginas: 13 (3147 palavras) Publicado: 5 de junho de 2015
O pensamento mítico: Mito, rito e imaginário
Considerados há muito tempo como antagônicos, mito e filosofia protagonizam atualmente uma (re)
conciliação. Desde os primórdios, a Filosofia, busca do saber, é entendida como um discurso racional que
surgiu para se contrapor ao modelo mítico desenvolvido na Grécia Antiga e que serviu como base de sua
Paideia (educação).
O que era tido antes comopré-científico, primitivo, assistemático, ganha especial papel na formação das
culturas. As noções de civilização, progresso e desenvolvimento vão sendo substituídas lentamente pela
diversidade cultural, já que aquelas não mais se justificam. Os textos de Platão, analisados não somente
pela ótica conceitual, mas também dramática, nos proporciona compreender que certo uso do mito é
necessário onde ologos (discurso, razão, palavra) não consegue atingir ainda seu objeto, ou seja, aquilo
que era apenas fantasioso, imaginário, ganha destaque por seu valor prático na formação do homem.
Dito de outro modo, embora o homem deseje conhecer a fundo o mundo em que vive, ele sempre
dependerá do aperfeiçoamento de métodos e técnicas de interpretação. A ciência é realmente um saber,
mas que também é históricoe sua validade prática depende de como foi construído argumentativamente.
Portanto, Mito, Filosofia e Ciência possuem entre si não uma relação de exclusão ou gradação, mas sim de
intercomplementaridade, haja vista que um sempre sucede ao outro de forma cíclica no decorrer do
tempo.
Rito e Mito
Segundo Cassirer, em O Mito do Estado, embora exista uma diversidade de manifestações míticas entre osmais diferentes povos e culturas, devemos procurar pelo seu elemento comum, aquele que permite uma
‘unidade na diversidade’.
Esse elemento comum, essa unidade em meio à diversidade que Cassirer aponta, no caso do pensamento
mítico, é “uma unidade de sentimento”, que se fundamenta na “conscientização da universalidade e
fundamental identidade da vida” (1946, p.53). A essência do mito não é regidapelo pensamento racional,
mas sim pelo sentimento. A mente primitiva vê o mundo de forma específica; não busca, como no
pensamento científico, dividir e classificar as diversas formas de vida e os diversos elementos da natureza.
A relação da mente primitiva para com a sua comunidade e para com a natureza é de profunda comunhão.
O primitivo não se sente um ser separado do resto da natureza, mas sesentem todos unidos e
participantes de um mesmo todo, como se fossem um único organismo, cuja expressão desse desejo se
manifesta através dos ritos. Nas palavras de Cassirer, o que encontramos na crença primitiva é
A relação dos membros da tribo entre si e entre a natureza é de ‘simpatia’ e não de ‘causalidade’. Isto é,
suas relações não seguem princípios de causa e efeito, mas sim princípiosemocionais. O nascimento, via de
regra, é visto como uma forma de reencarnação; acrescenta-se a isso que desconhecem, inicialmente, o
funcionamento da procriação e consequentemente a participação humana nesse evento. Já a morte nunca
é concebida como algo natural, como algo inevitável que um dia inexoravelmente iria ocorrer. A morte é
sempre atribuída a outras causas que não sejam naturais. A morte deum indivíduo é sempre atribuída em
razão de bruxaria, magia ou pela ação de outro homem ou mulher o qual será castigado por tal ato. Essa
sociedade da vida que abrange todos os seres da natureza, tanto animados como inanimados, a qual
pertence o homem primitivo não segue as leis da causalidade convencional, mas é um produto da emoção.
Para que essa sociedade se mantenha é necessário renová-laconstantemente. Essa renovação se dá
através dos ritos, práticas do dia a dia que são carregadas de valor simbólico. Os ritos de iniciação, assim
como os ritos de vegetação, presentes em quase todas as sociedades primitivas, guardam uma estreita
semelhança entre si. Ambos pertencem a um mesmo processo de regeneração da vida, representam a
continuidade de um ciclo, do que deve morrer para renascer....
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