ficçao e sintomas arquiturais ou o recalcamento,hic et nunc, do sensivel

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“É um pouco uma história da arte como história da liberação da sensação que almejamos construir aqui, de modo decerto fragmentário...” (1)

Começar um texto crítico a respeito de um livro de tanta densidade teórica e crítica, como é Intenções Espaciais. A plástica exponencial da arte 1900-2000, de Stéphane Huchet (editora C/ Arte, publicação no ano de 2012), é sempre, pelo menos, hesitante. O desejo é de que este ensaio crítico esteja minimamente aberto e movente, em constante estado de “en-formação” – termo caro ao vocabulário do autor para tratar das expansões de campo da arte, especialmente nas décadas de 1960 e 1970. Isso porque talvez somente assim eu possa fazer alguma justiça aos percursos estéticos e artísticos que Stéphane nos oferece por entre as forças e pulsões que localizam a arte, no horizonte que se abre do século XXI, como espaço do e para o corpo. Mas que, ao mesmo tempo, a des-localizam radicalmente de alguns lugares que a tradição convencionou coloca-la, especialmente no que toca os suportes classificatórios do seu sistema de apresentação – pintura, escultura, arquitetura. Arrisco-me, portanto, em escrever uma crítica necessariamente não igualmente transformadora do sujeito – como de fato pode ser entendido o livro de Stéphane, sobretudo para os arquitetos – mas que consiga ao menos apontar para as emancipações, os cortes, os transbordamentos que atravessam “uma dinâmica histórica de expansão da obra [de arte] no espaço, interessando tanto o artefato quanto o edifício ou o lugar da exposição” (p. 31).

Stéphane divide sua obra em dois momentos principais. A primeira parte ocupa-se, como o próprio nome indica – Por uma nova arquitetônica pictórica (of greater scope) –, de uma discussão mais ampla sobre a arte pictórica moderna até a arte contemporânea. É subjacente uma ideia da emancipação da cor no espaço, um exercício importante desde as investigações impressionistas e que estará presente também em Cézanne, Gauguin e Seurat. Stéphane

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