FICHAMENTO Livro: Alegoria do Patrimônio (Françoise Choay) – Introdução: Monumento e Monumento Histórico

Páginas: 6 (1284 palavras) Publicado: 26 de abril de 2014
FICHAMENTO
Livro: Alegoria do Patrimônio (Françoise Choay) –
Introdução: Monumento e Monumento Histórico


“Bem de herança que é transmitido, segundo as leis, dos pais e das mães aos filhos”, Dictionnarie de la langue français de É. Littré. (Definição de “patrimônio”; nota de rodapé, p. 11).


Patrimônio histórico. A expressão designa um bem destinado ao usufruto de uma comunidade quese ampliou a dimensões planetárias, constituído pela acumulação contínua de uma diversidade de objetos que se congregam por seu passado comum: obras e obras-primas das belas artes e das artes aplicadas, trabalhos e produtos de todos os saberes e savoir-faire dos seres humanos. (p.11).

A tripla extensão – tipológica, cronológica e geográfica – dos bens patrimoniais é acompanhada pelo crescimentoexponencial de seu público. (p. 15).

O concerto patrimonial e o concertamento das práticas de conservação não deixam,, porém, de apresentar algumas dissonâncias. Esse crescimento recorde começa a provocar inquietação. Resultará ele na destruição de seu objeto? Os efeitos negativos do turismo não são percebidos apenas em Florença e em Veneza. (...) Nem mesmo os monumentos da Antiguidade, pormais prestigio que tenham tido na era clássica, deixaram de ser demolidos, (...) uma vez que atrapalhavam os projetos de modernização das cidades e dos territórios. (p. 15, 16).

De sua parte, os arquitetos invocam o direito dos artistas à criação. (...) Os proprietários, por sua vez, reivindicam o direito de dispor livremente de seus bens para deles tirar o prazer ou o proveito que bem entendam.(...) As vozes discordantes desses opositores são tão poderosas quanto a sua determinação. (...) Contudo, ameaças permanentes que pesam sobre o patrimônio não impedem um amplo consenso em favor de sua conservação e de sua proteção, que são oficialmente defendidas em nome dos valores científicos, estéticos, memoriais, sociais e urbanos, representados por esse patrimônio nas sociedades industriaisavançadas. Um antropólogo americano pode afirmar que, pela mediação do turismo de arte, o patrimônio representado pelas edificações constituirá o elo federativo da sociedade mundial. (p. 16,17).

(...) O sentido original do termo [monumento] é o do latim monumentum, que por sua vez deriva de monere (“advertir”, “lembrar”), aquilo que traz à lembrança alguma coisa. A natureza afetiva do seupropósito é essencial: não se trata de apresentar, de dar uma inovação neutra, mas de tocar, pela emoção, uma memória viva. Nesse sentido primeiro, chamar-se-á monumento tudo o que for edificado por uma comunidade de indivíduos para rememorar ou fazer que outras gerações de pessoas rememorem acontecimentos, sacrifícios, ritos ou crenças. (p. 18).

[Definição de monumento para] Furetière (...):“Testemunha que nos resta de alguma grande potência ou grandeza dos séculos passados”. (...) Alguns anos mais tarde, o Dictionnaire de l’Académie situa deforma clara o monumento e sua função memorial no presente, mas seus exemplos traem um deslocamento, desta vez em direção a valores estéticos e de prestígio (...). (p. 19).

Essa evolução se confirma (...) com Quatremère de Quincy. Este observa que,“aplicada às obras de arquitetura”, essa palavra “designa um edifício construído para eternizar a lembrança de coisas memoráveis, ou concebido, erguido ou disposto de modo que se torne um fator de embelezamento e de magnificência nas cidades”. Ele continua indicando que, “no último caso, a ideia de monumento, mais ligada ao efeito produzido pelo edifício que ao seu fim ou destinação, ajusta-se eaplica-se a todos os tipos de edificações”. (p.19).

Hoje, o sentido de “monumento” evoluiu um pouco mais. Ao prazer suscitado pela beleza do edifício sucedeu-se o encantamento ou espanto provocados pela proeza técnica e por uma versão moderna colossal (...). (p. 19).

A progressiva extinção da função memorial do monumento certamente tem muitas causas. Mencionarei apenas duas, ambas vigentes...
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