Fichamento de: VAINFAS, Ronaldo. Santidades e idolatrias em Perspectiva Histórica. In: A heresia dos índios. SP: Companhia das letras, 1995.Pp. 21-63

Páginas: 15 (3629 palavras) Publicado: 27 de julho de 2013
UNEB – CAMPUS X
Curso: História (turma I)
Introdução a História do Brasil

Fichamento de: VAINFAS, Ronaldo. Santidades e idolatrias em Perspectiva Histórica. In: A heresia dos índios. SP: Companhia das letras, 1995.Pp. 21-63

Sobre o autor: Licenciado em História pela Universidade Federal Fluminense (1978), mestre pela mesma Universidade em História do Brasil (1983), Doutor em HistóriaSocial pela Universidade de São Paulo (1988). Professor da UFF desde 1978, sendo, desde 1994, Professor Titular de História Moderna. Seus estudos focam temáticas como inquisição, sexualidade, religiosidades, colonização entre os séculos XVI e XVIII na América Portuguesa. A obra “A Heresia dos Índios” é uma adaptação da tese que Ronaldo Vainfas apresentou para o concurso de professor titular daUniversidade Federal Fluminense.

Objetivo do autor – na primeira parte da obra: se dedica a falar sobre a Santidade indígena e a questão do outro. Comenta a respeito de seus ritos e crenças, falando um pouco de sua história até o momento em que é capturada e destruída nas terras de Fernão Cabral.


Cap. I - IDOLATRIAS E COLONIALISMO

COMBATE COM A SOMBRA


“Em 1550 celebrou-se uma grandefesta em Rouen, presenciada pelo rei da França, Henrique II, por Catarina de Médicis e pela corte. Simulou-se nela um combate entre tupinambás e tabajaras, com a participação de cinquenta índios recém-capturados no Brasil e um grupo de marinheiros também nus- homens.” (p. 23)

”Ferdinand Denis, que relatou o evento, informa que a festa foi chamada de sciamachie, cujo significado é combate com aprópria sombra, uma espécie de exercício, praticado pelos antigos, ‘que consistia em agitar os braços e as pernas como uma pessoa que lutasse com sua sombra.’” (p. 23)

Comentário: DENIS, Ferdinand (1944): Uma festa brasileira. Rio de Janeiro: (Portugiesische Übersetzung).


“Combate com a sombra: a ‘descoberta’ do Novo Mundo foi na realidade um processo de natureza dupla, pois odesvelamento de alteridade ameríndia parece ter implicado a (re)construção da identidade cristã ocidental.” (p. 23)


“Ao relacionar o saber demonológico emergente na Europa com a literatura de viagens e com o esboço de “olhar antropológico” na velha cristandade, Laura de Mello e Souza considerou a demonologia como parte do que Michel de Certeau chamou de heterologia. [...] Estudiosa da colonizaçãoibérica, a autora percebeu muito bem que, no caso dos portugueses e sobretudo dos espanhóis, as atitudes demonizadoras acabariam por triunfar sobre o ‘olhar antropológico’” (p. 24)

Comentário: o autor comenta sobre as culturas ameríndias, que os observadores ibéricos, eram Etnodemonólogos mais do que heterólogos. Essa consideração feita tem concordância com o ponto de vista da historiadora Laura deMello e Souza, divergindo de Certeau, sobre tais terminologias.



IDOLATRIA E DEMONOLATRIA


“Não resta dúvida de que foram os espanhóis, como diz Delumeua, os maiores demonizadores da alteridade ameríndia [...]. Demonizaram-na através de palavras, imagens e práticas associadas, em última análise, a um conceito específico: idolatria.” (p. 25)

Comentário: a tradição judaico-cristã é(como posso dizer) a mãe desse conceito de Idolatria. Tanto no Antigo quanto o Novo Testamento podemos encontrar, sem grandes dificuldades, um verdadeiro manancial de “referencias” aos “merecedores” do estereótipo de Idólatras, como é notada na citação seguinte e em outras.


“A igreja medieval só faria adensar a estigmatização das idolatrias, estabelecendo uma virtual identidade entre idolatriae demonolatria. É o que se pode ver no célebre Directorum Inquisitorum, de Nicolau Eymerich (1376), por sinal um inquisidor aragonês: eram os sacerdotes de Baal os verdadeiros idólatras condenados no Livro dos Reis [...]” (p. 25-26)


“A diabolização conceitual das idolatrias era parte integrante, portanto, do corpo doutrinário e do imaginário cristão desde, pelo menos, a Idade Média [...]...
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