Fichamento - Ascese e Capitalismo

Páginas: 5 (1239 palavras) Publicado: 8 de agosto de 2013
WEBER, Max. “Ascese e capitalismo”. In A ética protestante e o “espírito” do capitalismo. Trad. José Marcos Mariani de Macedo, São Paulo: Companhia das Letras, 2004. p. 141 – 167.


Ascese e capitalismo

“A riqueza como tal é um grave perigo, suas tentações são contínuas, a ambição por ela não só não tem sentido diante da significação suprema do reino de Deus, como ainda émoralmente reprovável. [...] Efetivamente condenável em termos morais era, nomeadamente, o descanso sobre a posse, o gozo da riqueza com sua consequência de ócio e prazer carnal, mas antes de tudo o abandono da aspiração a uma vida “santa”. E é só porque traz consigo o perigo desse relaxamento que ter posses é reprovável. [...] A perda de tempo é, assim, o primeiro e em princípio o mais grave detodos os pecados.” (p. 142-143)
“[...] o tempo é infinitamente valioso porque cada hora perdida é trabalho subtraído ao serviço da glória de Deus.” (p. 143-144)

“A falta de vontade de trabalhar é sintoma de estado de graça ausente.” (p. 144)

“A todos, sem distinção, a Providência divina pôs à disposição uma vocação (calling) que cada qual deverá reconhecer e na qual deverátrabalhar, e essa vocação não é, como no luteranismo, um destino no qual ele deve se encaixar e com o qual vai ter que se resignar, mas uma ordem dada por Deus ao indivíduo a fim de que seja operante por sua glória.” (p. 145)

“A especialização das profissões, por facultar ao trabalhador uma competência (skill), leva ao incremento quantitativo e qualitativo do rendimento do trabalho e serve,portanto, ao bem comum (common best), que é idêntico ao bem do maior número possível.” (p. 146)

“E antes de mais nada: a utilidade de uma profissão com o respectivo agrado de Deus se orienta em primeira linha por critérios morais e, em seguida, pela importância que têm para a “coletividade” os bens a serem produzidos nela, mas há um terceiro ponto de vista, o mais importante na prática,naturalmente: a “capacidade de dar lucro”, lucro econômico privado. [...] Com certeza não para fins da concupiscência da carne e do pecado, mas sim para Deus, é permitido trabalhar para ficar rico. [...] Querer ser pobre, costumava-se argumentar, era o mesmo que querer ser um doente, seria condenável na categoria de santificação pelas obras, nocivo portanto à glória de Deus.” (p. 147-148)“O gozo instintivo da vida que em igual medida afasta do trabalho profissional e da devoção era, exatamente enquanto tal, o inimigo da ascese racional, quer se apresente na forma de esporte “grã-fino” ou, da parte do homem comum, como frequência a salões de bailes e tabernas.” (p. 152)

“Quanto mais posses, tanto mais cresce – se a disposição ascética resistir a essa prova – o peso dosentimento da responsabilidade não só de conservá-la na íntegra, mas ainda de multiplicá-la para a glória de Deus através do trabalho sem descanso.” (p. 155)

“A ascese protestante intramundana [...] agiu dessa forma, com toda veemência, contra o gozo descontraído das posses; estrangulou o consumo, especialmente o consumo de luxo. Em compensação, teve o efeito [psicológico] de liberar oenriquecimento dos entraves da ética tradicionalista, rompeu as cadeias que cerceavam a ambição de lucro, não só ao legalizá-lo, mas também ao encará-lo (no sentido descrito) como diretamente querido por Deus.” (p. 155)

“A ascese lutou do lado da produção da riqueza privada contra a improbilidade, da mesma forma que contra a avidez puramente impulsiva – condenando esta última com os nomes decovetousness {cobiça}, mamonismo etc.: a ambição de riqueza com o fim último de ser rico.” (p. 156)

“Eis porém algo ainda mais importante: a valorização religiosa do trabalho profissional mundano, sem descanso, continuado, sistemático, como o meio ascético simplesmente supremo e a um só tempo comprovação o mais segura e visível da regeneração de um ser humano e da autenticidade de sua fé,...
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