Ficção

Páginas: 6 (1324 palavras) Publicado: 11 de outubro de 2013
Ela sempre estava pensando em recomeçar. Partir do zero, do nada, tudo de novo e diferente. Porque ela achava que o mundo era muito grande e a vida muito fugaz para sentir que não tem uma vida de verdade durante toda a existência.
Ensaio conversas comigo mesma em frente ao espelho, experimento 30 roupas antes de sair e me acho meio doida quando sorrio pra quem nunca vi antes... é que acho quefaltam sorrisos no mundo!
Digo eu te amo com a mesma frequência que falo ao telefone e gosto de ouvir o mesmo de volta. Acho graça de velhinhos andando de mãos dadas na rua. Leio vários livros ao mesmo tempo e nunca termino nenhum deles. Gasto tempo escrevendo coisas que vou esquecer e pensando naquela resposta que só chegou na cabeça depois que a pessoa foi embora.
Começo uma dieta todasegunda e deixo de beber a cada nova ressaca, mas só até o próximo final de semana.
Eu converso com Deus, peço perdão pelo o que ainda não consegui ser e Ele sempre dá um jeito de me mostrar que o caminho quase sempre é mais importante que a chegada e que de certa forma, estou indo pelo caminho certo, só por estar grudada na mão Dele! Thirza
“O planeta não precisa de mais ‘pessoas de sucesso’. Oplaneta precisa desesperadamente de mais pacificadores, curadores, restauradores, contadores de histórias e amantes de todo tipo. Precisa de pessoas que vivam bem nos seus lugares. Precisa de pessoas com coragem moral dispostas a aderir à luta para tornar o mundo habitável e humano, e essas qualidades têm pouco a ver com o sucesso tal como a nossa cultura o tem definido.”

(Dalai Lama)


E entãoos dias se passavam sem mimos, sem afagos na nuca, sem cafuné, sem cuidado, sem surpresas. Ela se via como mais uma existência abandonada, sobre as quais os filósofos contemporâneos discorriam laudas e mais laudas, e lamentava sobremaneira não ter um companheiro, um amante, um homem pra chamar de seu, que lhe desse bom dia todas as manhãs com um sorriso no rosto, e assim, colocasse um sorriso norosto dela também, e lhe tocasse o corpo, e tocasse a alma com esse gesto, porque neste momento ela se saberia amada.
Ela não sabia dizer por que vivia se esgueirando pelos cantos, habitando as margens da vida, comendo pelas bordas frias e insossas os pratos que ela adorava se deliciar, anônima e invisível, insípida e insignificante, meio como Macabéa, uma mosca na sopa que não dava vontade decomer. Há tempos que não se sentia desejada por homem algum. Será que se ela mudasse seu visual e se tornasse mais uma mulher produzida em série resolveria este problema ou geraria mais alguns? Não, não resolveria porque ela estava sintonizando a estação errada.
Ela rezou pra si mesma assim: quando eu sair dessa grande noite escura, desse labirinto emocional, vou reconstruir minha casa em cima deum vale de casinhas caiadas e coloridas, no meio do nada, vou ser banhada pela luz do sol, e terei fé como quem faz romaria.
E olhou pra ele e começou a sentir aquela coisa que não se sabe explicar muito bem o que é, aquele começo de gostar que não se sabe bem o por que, e que nos leva a ver para além da pessoa, a ouvir além do que ela diz, a imaginar o que ela poderia fazer para nos tornar feliz.Tudo isto, que é muito e de boca calada ela pensou, com um pouco de medo que estes pensamentos estivessem estampados na sua testa.
Ela poderia ter ido bem longe naquela noite e praticado a mesma sequência hedonista: olhares, conversas, beijos, carícias, sexo. Mas ela preferiu parar na segunda etapa. Ficaram apenas se olhando com assombro e curiosidade, conversando sobre afinidades - em inglês,uma língua que não pertencia a nenhum dos dois, já que ela era brasileira e ele francês - observando a vontade de que aquela noite nunca mais acabasse crescendo dentro deles. Ela começou a achar que a pureza daquele encontro, ali, sentados no chão em meio ao barulho da conversa de outras pessoas, certamente estava valendo mais do que passar uma noite de volúpia com um suposto sofisticado homem...
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