Fenomenologia, humanização e promoção da saúde: uma proposta de articulação

Páginas: 25 (6047 palavras) Publicado: 26 de abril de 2014


Fenomenologia, humanização e promoção da saúde: uma proposta de articulação

Annatália Meneses de Amorim Gomes; Eliana Sales Paiva; Maria Teresa Moreno Valdés; Mirna Albuquerque Frota; Conceição de Maria de Albuquerque

Saude soc. vol.17 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2008



Esse texto visa trazer ao debate, na forma de ensaio, a possibilidade de articulação entre a propostafenomenológica, a humanização e a promoção da saúde. É claro que se faz necessário ficar ciente de que a fenomenologia é uma prática ilimitada, tanto na perspectiva de estudo como no âmbito de uma teoria aplicada aos diversos campos de saber.

A delimitação do estudo sobre fenomenologia é complexa, uma vez que o seu étimo (fenomenologia é a teoria dos fenômenos) não tem origem preestabelecida e, ao mesmotempo, por ser uma forma possível de leitura, toda filosofia poderá considerar-se fenomenológica. Como estudo, a fenomenologia pode ser examinada sob três ângulos: como Escola Fenomenológica, como Método fenomenológico e como Movimento fenomenológico. Além do mais, a designação "fenomenologia" foi utilizada em contextos extrafilosóficos (Psicologia, Psicanálise, Filosofia social, Física, Direito,dentre outros).

É melhor ficar esclarecido, portanto, que é o método fenomenológico, como leitura possível e a partir da sistematização de Husserl, que será o ponto de partida deste escrito.

Nesse sentido, o termo fenomenologia foi estabelecido pela primeira vez por Johann Heinrich Lambert (1728–1777), filósofo suíço, em Novo Organon, para designar a "ciência das aparências"; e por Kant, naMetafísica, para indicar aquela parte da teoria do movimento que considerava o movimento e o repouso da matéria somente em relação às modalidades em que eles aparecem no sentido externo; depois, com Hegel em Fenomenologia do Espírito (1807), para designar o "vir-a-ser" da ciência e do saber. No final do século XIX e início do século XX, com Edmund Husserl, a partir das Pesquisas Lógicas (1900),passa a ser utilizado no sentido de "ciência da experiência da consciência".

Constata-se que até a reflexão sobre a crise das ciências, em A crise da humanidade européia e a filosofia (1935), configura uma crítica à filosofia positivista e ao método experimental, percebidos como um objetivismo científico; ao mesmo tempo, ele elabora uma proposta endereçada à formulação de uma perspectiva racionalnova, radicalmente humana e a fênix de uma inédita visada: filosofia como ciência das vivências intencionais.

Na modernidade, ciências naturais e exatas eram caracterizadas pela ênfase no conhecimento objetivo, de representação da verdade e de neutralidade como caminho válido para se construir ciência (Naberhaus, 2004; Crowell apud Hopkins, 2002) e essa mentalidade tornou-se co-extensiva àsciências humanas.

Pode-se ressaltar, porém, que a contribuição de Husserl (1988) se apresenta na contramão desses posicionamentos, pois propõe uma fenomenologia transcendental, com o princípio da intencionalidade da consciência, buscando sentidos possíveis.

Assim sendo, essa proposta metodológica, rapidamente, alcançou o interesse de alguns filósofos ou pesquisadores desejosos de superar aperspectiva positivista pela aplicação do novo método a todos os domínios das "ciências do espírito", desenvolvendo-se as mais diversas descrições fenomenológicas da vida afetiva, da religião, da arte, do direito, dos fatos sociais etc. (Dartigues, 2003).

A respeito dessa evolução, Garnica (1997) comenta que a Fenomenologia se tornou um movimento filosófico, fornecendo as concepções básicassubjacentes ao método. Para isso, assumiu faces específicas e continuou a transformação ao longo do tempo. Em 1927, segundo Heidegger (1889-1976) a Fenomenologia buscava descrever o fenômeno tal como ele ocorre, compreendendo como tudo aquilo que se mostra ou que aparece para uma consciência que lhe atribui significado.


Observa-se que, na área da saúde, ainda predomina, na prática, a influência...
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