FEMININO

Páginas: 14 (3355 palavras) Publicado: 7 de junho de 2015
MOITA, Júlia. Breve Análise do Movimento Feminista. Monografia. UFSCar, 2001.

O FEMININO - Como Simone de Beauvoir o caracterizou (e o viu caracterizado)

Apesar das primeiras discussões feministas terem sido feitas já no século XVIII, a partir da metade do século XX, começou-se a discutir de forma mais sistemática a condição e a história da mulher na sociedade, para concluir, como já vimos,que os seres humanos do sexo feminino sofrem uma opressão singular ao seu sexo.
Com esta constatação, aliada a um desconforto cotidiano experimentado na sua rotina insatisfatória, a mulher começa a se organizar em grupos, que reivindicam o direito de serem responsáveis pela sua própria tragédia. A revelação desta "opressão singular", conduziu o debate para a diferenciação (sem discriminação) entreos sexos, naquilo que ficou conhecido como "as questões de gênero".
A filósofa Simone de Beauvoir é quem, de forma mais contundente, discute a posição inferior que a mulher ocupa na sociedade, analisando os fatores desta subordinação. Em O Segundo Sexo (1949), grande clássico sobre o assunto, ela procura reconstruir a história e descobrir como e porque o sexo feminino se deixou dominar, perdendo a"guerra dos sexos". A autora considera os apelos antifeministas, calcados na religião e na filosofia, além das explicações científicas da biologia, da psicologia e do materialismo histórico, mostrando-os sob uma nova luz, o ponto de vista existencialista. Afirma que a mulher é, de fato, inferior, porém lembra que "ser é ter-se tornado, é ter sido feito tal qual se manifesta"1.
Do ponto de vistabiológico, muitos tentaram definir a mulher pela "passividade" do óvulo, e o homem, a partir da "atividade" do espermatozóide, desconsiderando que a hereditariedade é ditada por ambos os sexos, e que homens e mulheres produzem gametas2. Além disso parece insuficiente definir a fêmea como condutora de óvulos e o macho como condutor de espermatozóides, pois ao contrário dos insetos e de outrosorganismos primitivos, a reprodução nas formas mais elaboradas da vida assume uma dupla face: mantém a espécie e cria novos e singulares indivíduos.
O domínio do macho no coito (ele procura a fêmea e se coloca, geralmente, sobre ela) termina quando o espermatozóide, meio pelo qual o masculino transcende-se em outro, expele-se de seu corpo tornando-se estranho a ele, "no momento em que supera suaindividualidade, nela se encerra novamente"3. A fêmea, ao contrário, se a princípio é violentada, é em seguida alienada , carregando durante a gestação um feto que nutre de si mesma (e continuará alimentando o recém-nascido), ela é , ao mesmo tempo, ela mesma e outra. Discute-se, inclusive, o momento em que pode o indivíduo se considerar um ser autônomo: na fecundação, no nascimento ou na desmama.
Éprudente, entretanto, lembrar que esta alienação, aliada a diferenças biológicas4, vai se constituir em um importante instrumento para explicar a subordinação da mulher que, entre todas as fêmeas, é a que se acha mais profundamente alienada e a que recusa de forma mais violenta esta alienação5.
Se a fraqueza e a instabilidade da mulher, neste sentido, são um fato, este não se explica, pois osdados biológicos a partir de uma perspectiva humana assumem um significado somente como dependente de todo um contexto. O pleno emprego da força física não é requerido para a apreensão do mundo, de forma que as diferenças se anulam; se os costumes proíbem a violência, a energia muscular não domina. Fraqueza só pode ser definida através de referências existenciais, econômicas e morais. A maternidadena mulher também é decidida pela sociedade, conforme esta necessite de mais ou menos nascimentos, e as possibilidades individuais dependem de fatores econômicos e sociais, não fisiológicos. A sociedade não é uma espécie, os indivíduos não são abandonados à sua natureza, mas adquirem uma "segunda", advinda dos costumes. O sujeito toma consciência de si mesmo e se realiza não através do corpo, mas...
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