Etologia e motivação

Páginas: 9 (2202 palavras) Publicado: 12 de fevereiro de 2013
A Perspectiva Etológica:
o Modelo HidrodinâmicoDa Motivação,
em comparação com dois Modelos históricos:
o modelo psicanalítico é o modelo da teoria dos “drives”













Artur Cardoso


A Perspectiva Etológica e o Modelo Hidrodinâmico Da Motivação

Os etologistas estão decisivamente orientados para o sujeito animal e para a valorização de tudo que no seu comportamentoaparece como espontâneo. Procuram as forças internas do organismo susceptíveis de explicar os comportamentos que Whitman (1898) e Heinroth (1911) denominaram "movimentos endógenos", ou seja, comportamentos resultantes de alterações do organismo, sem estímulo visível do meio. Estas forças internas constituem o essencial da motivação, que tem como efeito baixar o limiar de respostas e, quando émáxima, pode inclusivamente originar comportamentos sem estímulo exterior (overflown activities).
Nas situações mais habituais, porém, a carga energética interna só dá origem a comportamentos quando auxiliada por um estímulo externo, que apoia a deslocação da "válvula", ou seja, dos travões naturais do comportamento. Quer dizer, o estímulo contém em si próprio alguma energia, combinável com a doorganismo. O o famoso princípio da cooperação das duas ordens de forças na produção do comportamento. Esta ideia de que o comportamento resulta da conjugação variável de forças internas com estímulos externos tem, do ponto de vista aqui adoptado, um interesse próprio, devido à maneira como alguns etologistas interpretam a natureza das forças envolvidas.
Assim, as forças internas são expressamentedenominadas motivação e resultam da acção hormonal, das sensações proprioceptivas e dos influxos automáticos produzidos ritmicamente pelo sistema nervoso.
Mas, embora estas forças possam ser suficientes para desencadear comportamentos, e mesmo comportamentos bruscos, explosivos, a verdade é que, na maioria das situações, é necessário o recurso à compreensão do contexto ou da relação com o meio paraexplicar cabalmente a produção do comportamento. Ora é este apelo aos estímulos do meio que apresenta um claro interesse, neste nosso assinalar de convergências.
Com efeito, os estímulos externos desempenham uma dupla função na produção do comportamento animal: a de orientadores e a de desencadeadores do comportamento. Pela primeira característica, exercem influência na direcção do comportamento emrelação aos objectos do meio, explicam a diversidade que ele apresenta, representam a vertente cognitiva, informacional, qualitativa; pela segunda característica, os estímulos externos cooperam na produção do comportamento,

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activando com maior ou menor eficácia (consoante a qualidade do estímulo) o IRM, o "mecanismo" inato de produção do comportamento. Temos aqui a dimensão afectiva,energética, de intensidade quantitativa. Por isso Lorenz acentua que não se pode avaliar a eficácia de um estímulo desencadeador, sem conhecer o nível dos factores internos; nem se consegue calcular o nível de intensidade da motivação interna, sem se conhecer a eficácia do estímulo desencadeador.

Podemos, portanto, resumir a concepção etologista do comportamento motivado num esquema relativamentesimples, que faz aparecer a dupla fonte de energia que o desencadeia. Este esquema coloca em evidência alguns aspectos do processo de motivação que se podem considerar consensuais, uma vez que aparecem em todos os modelos, pelo menos de forma indirecta.
Esses aspectos são os seguintes:

- a ideia de que a motivação é um processo fundamentalmente energético (ou seja de intensidadeafectiva);
- o conceito de fonte dupla desta energia (o organismo e o meio);
- a noção de obstáculo a superar, de mecanismo inibidor do comportamento;
- a concepção de que o comportamento é orientado, tem uma
finalidade, não é um produto cego (a dimensão cognitiva).

Quadro 1 - A Motivação do Comportamento, na Concepção...
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