Esquecimento e memória em heidegger

Páginas: 19 (4621 palavras) Publicado: 21 de maio de 2012
Esquecimento e Memória em Heidegger

Introdução

Esse texto é uma tentativa de compreender Heidegger, seu repertório e seu modo de pensar o “SER” a partir da leitura de sua obra Ser e Tempo. Esta obra é parte constitutiva de um projeto maior, está imerso num contexto mais amplo e convoca o leitor para o conhecimento de suas questões mais relevantes. Por razões que limitam o entendimento dosistema heideggeriano em sua amplitude, desenvolveremos uma análise destacando como o fio condutor das nossas inquietações o que o autor designa por “esquecimento do Ser”.
Por que este é o fio de Ariadne do nosso trabalho? Porque é sobre ele que Heidegger tecerá sua crítica contra a tradição filosófica e tentará resgatar o seu sentido mais original. Este fio é o da narrativa que pretende marcar atrilha de um possível caminho num labirinto de palavras, expressões, significações e interpretações que constituem a linguagem da linguagem desse curioso pensador. O caminho de Heidegger é repleto de encontros e desencontros, certezas e desvarios, angústia e criação. Sua busca se volta para o Ser e o seu sentido. No percurso, ele revira o baú da Metafísica identificando-a com o conhecimentoatrelado ao ser enquanto ente; o Ser... dorme sob as águas do rio Lethe . O resgate da ambigüidade original que vincula o termo physis com natureza e também com a idéia de ousia, precisa ser feito. Segundo Heidegger, as perguntas pelo ente na sua totalidade e na sua essência ainda não foram respondidas.
Nosso primeiro desafio é entender os significados atribuídos por Heidegger a certos termos, taiscomo cura, pre-sença, existência etc. e compreender a distinção entre ente e Ser verificando como isto converge para a questão do esquecimento desse último.

O Ser não é o ente

A primeira distinção, imprescindível e necessária, é entre Ser e ente. O Ser não se confunde com o ente. Aqui se encontra o primeiro grande erro da tradição filosófica: tratar a questão do Ser a partir do ente. Heideggerdebruça-se assim sobre os termos gregos procurando restituir seu sentido mais original usando o método fenomenológico. Como o modo da descrição fenomenológica é a interpretação, sua fenomenologia é hermenêutica. Nesse empenho, Heidegger identifica o termo ser com ousia e estabelece com este uma conexão com o fenômeno do tempo. O sentido do ser é a temporalidade; no entanto, nem Platão, nemAristóteles consideraram esta hipótese. Nesse percurso, um ente privilegiado, o Dasein, aparece como aquele capaz de se questionar a respeito do seu ser. A determinação do ser do Dasein surge numa abertura propiciada pela angústia, que remete ao mundo. “Ser-no-mundo é uma estrutura de realização” que, por sua vez, remete à idéia de existência. Mas existência de quem? Do ente? Do Ser? Do Dasein?
ODasein, no fundo está vinculado a uma certa constituição ontológica de homem, de ser humano, pois só este tem a capacidade de se questionar a respeito de seu ser, mas não deve ser confundido com sinônimo de homem. O homem singular seria apenas um ente. Além disso, Heidegger está preocupado em se desvencilhar do significado dos termos impregnados pela metafísica da tradição filosófica. O que ele pretendeé re-construir adequadamente um significado de homem a partir do ser. Ele afirma então que o Dasein possui um primado múltiplo em relação aos outros entes.
O primado ôntico, estabelece o plano dos entes; o primado ontológico estabelece o plano do ser e há ainda, a condição ôntico-ontológica, na qual o Dasein compreende a sua existência. Os planos citados fazem parte, portanto, da estrutura daexistência. Essência e existência constituem a estrutura do ser na sua totalidade. O sentido dessa existência só pode ser compreendido integralmente sob os auspícios de outra estrutura: a “cura” (Sorge) que, de acordo com o excerto acima, se dá antes (a-priori) da plena existência. Por esta razão a cura se encontra no plano existencial . Ao mesmo tempo em que tece toda essa análise que conduz à...
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