Escravismo e “civilização” da monarquia luso-migrada no contexto das repúblicas americanas.

Páginas: 8 (1881 palavras) Publicado: 13 de novembro de 2014


B- Escravismo e “civilização” da monarquia luso-migrada no contexto das repúblicas americanas.
Quando a corte portuguesa se transferiu para a América portuguesa não trouxe consigo apenas a família real, mas também boa parte do corpo administrativo português. Migraram para o Brasil, pelo menos 15 mil pessoas vindas de Portugal para o Rio de Janeiro. Os imigrantes não vinham apenas daMetrópole, como também colonos de outras partes do Império português, tais como Angola e Moçambique. Com constantes revoluções republicanas nos países sul-americanos de domínio espanhol, setores da Coroa espanhola se muda para o Rio de Janeiro, encontrando um refúgio monárquico no Novo Mundo.
Com o aumento da imigração burocrática, aumentou a procura serviços dentro da cidade, tais como moradias,serviços domiciliares e secretariado em geral, assim como bem diversos, atraindo para o Rio de Janeiro produtos e emigrantes das outras partes do país. Com o tráfico negreiro, a partir do final do século XVIII a baía de Guanabara se torna o maior terminal negreiro da América.
O Brasil era um país independente, onde daria espaço à liberdade individual, o cidadão estaria liberto da rede imperial, mas aíentra outra questão, quem é cidadão? Estavam integrados socialmente todos os moradores? A questão de liberdade individual é um assunto bastante contraditório, principalmente em países americanos, onde estava em voga um sistema escravista bem estruturado, em contrapartida a uma sociedade que buscava atingir princípios liberais predominantes nas sociedades europeias.
O escravo sendo propriedadede um dono, ou seja, sendo um bem particular, ele poderia ser julgado, comprado e vendido, herdado, ou hipotecado, mas todas essas ações passavam pelos olhos atentos do Império. Segundo o autor “A vida privada escravista desdobra-se numa ordem privada prenhe de contradições com a ordem pública”. Ou seja, o direito de possuir um escravo, se torna de caráter constitutivo, a partir do momento em queexistem leis que garantem o status escravista. O escravismo não era a ligação para com o passado, uma herança adquirida da colônia, é de certa forma um vínculo feito com o passado, mas que legitima a escravidão no quadro do direito moderno, mesmo o país estando em status de liberdade, a identidade de ser escravo ainda projetava-se pela contemporaneidade.
Com essa dualidade existente dentro doImpério, onde se buscava a liberdade, e mesmo assim mantinha a escravidão, gerando uma economia imensa, podiam acontecer diversos atos de revolta e vandalismo dentro do país, até gerar uma guerra civil, desde que mantivessem o respeito à ordem privada do escravismo.
Rio de Janeiro se tornou a capital do país, tanto politicamente, quanto economicamente, sede das ligações diplomáticas, detentorado maior porto do território, e a área com a maior aglomeração urbana de escravos, o estado também era foco das contradições exercidas dentro do Império.
O crescimento do Rio de Janeiro será marcado por diversas etapas, contando a diversidade regional exercida nas diversas partes da colônia, e a influência dos imigrantes constantemente manifestados logo após a abertura dos portos em 1808. Emtermos quantitativos, no perpassar do século XIX, os cativos representavam de 30 a 50% do total de habitantes da corte. Mais uma vez, mostrando o contraste exercido dentro da Colônia, a densidade de escravos dentro das cidades se contrastava com os desejos civilizadoras exercidos pela corte e pela Coroa. A capital brasileira gozava de status de ser a única representante do sistema europeu no NovoMundo, tomada pelo senso de República, mas exercia ainda uma discordância com esse senso de governo feito pelo povo, onde 50% (em alguns casos) do povo era escravo.
Na História Clássica, o escravismo era dado por vários fatores, dentre eles o por posse de guerras, diferentemente do modelo exercido nas terras canarinho, onde o amontoado de escravos vinha de uma só região, era legitimado por uma...
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