Entrevista cronista Liberato Vieira da Cunha

Páginas: 6 (1366 palavras) Publicado: 18 de novembro de 2013
Entrevista com o jornalista e escritor Liberato Vieira da Cunha
Silêncios do Mundo é uma coletânea de 99 crônicas publicadas na zero hora entre os anos de 2002 e 2013. Algumas crônicas têm uma resposta imediata, ampla dos leitores. Este é um dos critérios. Estas crônicas eu marcava para saber que aquela crônica tinha sido bem recebida. Outro critério foi exclusivamente literário foi aredescoberta dos meus textos. Foram quase 700 textos relidos e a partir desses dois critérios eu cheguei nesse número de 99 publicados.
Há um contato quase carnal na caneta com o papel. É uma coisa diferente, anímica, boa. Primeiro eu faço o rascunho e depois passo para o computador.
A crônica de jornal é onde o jornal respira. A crônica literária de jornal é livre do compromisso com a formalidade dotexto jornalístico.
Neste livro eu conto coisas muito íntimas. Eu falo dos meus pais. Eu perdi pai e mãe em um desastre aéreo quando eu tinha 11 anos. Isso foi o grande acontecimento da minha vida, foi uma coisa cujos desdobramentos se prolongam até hoje. Eu acho que de todos os meus livros é o que eu mais enfoco este aspecto.
A minha nostalgia é um modo de ser, de existir, não é literária. Souum admirador de Balzac. Minha ligação com o Balzac é de leitor pra profundo admirador. É uma grande influência para todos nós escritores.
O diário de notícias era uma fantástica escola de jornalismo. Essa requisição para diferentes áreas do jornalismo foi tudo uma grande e maravilhosa escola em um período onde a fechadura começava no Brasil. Naquela época a gente aprendeu uma coisa terrível quefoi a autocensura. Tu saber até onde tu podias ir num texto e a partir daquilo ali tu não podias ir adiante. Essa presença do diário de noticias na minha vida foi extremamente importante sobre esse aspecto de escola de jornalismo. Escola de jornalismo que eu só fui cursar na Alemanha depois de formado em direito, porque não se exigia de diploma de jornalista na época. Se exigia cultura geralvasta, entendesse de escrever um texto com começo, meio e fim. Tu deverias ter clareza, concisão e precisão.
Berlin era uma cidade dotada de uma dramaticidade, devido àquela barreira física imensa [muro de Berlin]. Era uma sociedade rígida e desorganizada, tudo era burocratizado [parte oriental]. Essa experiência entre a liberdade absoluta que havia em Berlin ocidental e esse estado policialesco quehavia em Berlin oriental era um contraste incrível. Sobre esse aspecto foi uma grande experiência de vida.
Meu pai era diretor de um jornal em Cachoeira do Sul. Mas sempre foi mais conhecido pelo seu trabalho na política.
Houve uma conspiração nos quartéis por uma retomada do autoritarismo, naquele período. Isso entre altas patentes do exército. Eles queriam que centenas de bandeiras comunistasaparecessem nos comícios do Tancredo Neves - que nunca foi comunista na vida. Que se espalhasse no país uma notícia que se o Tancredo fosse eleito haveria um revanchismo absoluto contra os militares. Começaram a se multiplicar as denuncias e o golpe acabou falhando.
No período da ditadura militar a gente tinha vontade de dizer as coisas e não podia. Não podia porque o feitiço ia se virar contrati e contra teu ganha pão, que é o jornal. Hoje em dia que nós temos uma absoluta liberdade de opinião, não podemos imaginar o ambiente irrespirável que se viveu no Brasil entre 1964 e 1985.
Hoje em dia começa a se glamorizar a ditadura. Havia corrupção, mas não aparecia. Havia insegurança, mas não aparecia. Havia todo esse quadro que está aí, de problemas sociais, mas não podíamos dar um pio arespeito, porque a imprensa estava amordaçada, havia censura. Eu vivi isso no correio do povo com a presença de um sujeito que dizia: “isso não pode publicar”. E não podíamos publicar, não tinha conversa. A polícia federal estava infiltrada nas redações, eu vivi isso no Correio do Povo.
Toda pessoa cresce como ser humano. A literatura é um dos maiores valores da minha vida. Eu me dedico a...
Ler documento completo

Por favor, assinar para o acesso.

Estes textos também podem ser interessantes

  • Entrevista completa com o cronista Liberato Vieira da Cunha
  • Liberato Salzano Vieira da Cunha
  • Entrevista com Bob Vieira
  • liberato
  • Liberato
  • Cronista
  • CRONISTAS
  • Cronista

Seja um membro do Trabalhos Feitos

CADASTRE-SE AGORA!