Entre sangradores e doutores: Práticas e formação médica na primeira metade do século XIX

Páginas: 6 (1422 palavras) Publicado: 7 de agosto de 2013
Em seu texto “Entre sangradores e doutores: Práticas e formação médica na primeira metade do século XIX”, Tânia Salgado Pimenta fala sobre as transformações que as atividades médicas sofrera neste período. Sobretudo das práticas realizadas por sangradores, que em sua grande maioria eram negros escravos.
Outras atividades também eram realizadas neste período, como as de curandeiro e parteira.Para que estas atividades fossem realizadas, era necessário que a Fisicatura mor lhes desse uma licença para que as pessoas pudessem praticá-las de fato. Porém, paralelo a isto existiam mesmo que em menor número, médicos, cirurgiões e boticários, que também eram fiscalizados pelo mesmo órgão.
Os médicos vinham no início do século tentando se organizar em torno de associações e de periódicosespecializados, até a criação da Faculdade de medicina, que foi criada em 1832, pois os médicos formados vinham de fora. Com a Faculdade novas metodologias foram adotadas, a organização aumentou, o uso de nomenclaturas passou a ser adotado, assim como um discurso higiênista na tentativa de desqualificar e desautorizar as práticas de terapias populares como as utilizadas principalmente pelos sangradores.A quantidade de ofícios reconhecidos pelo governo era bem vasto, porém cada um deles tinha suas atividades bem estabelecidas pela Fisicatura mor. Existia uma espécie de hierarquização utilizada para determinar que atividades cada ofício poderiam realizar. Como podemos ver:

Os médicos, que podiam prescrever remédios, os cirurgiões, que tratavam de “moléstias externas”, e os boticários, quemanipulavam e vendiam os medicamentos, construíam o grupo mais prestigiado. Os sangradores, que podiam sangrar e aplicar sanguessugas e ventosas, as parteiras, que ajudavam as mulheres a dar a luz, e os curandeiros, que podiam cuidar de doenças “leves” e aplicar remédios feitos de plantas medicinais nativas, desempenhavam atividades menos consideradas. Incluam-se aí os licenciados a tratar somente dealguma moléstia específica, como embriaguez e morféia. (PIMENTA, 2003: p.93)

As práticas realizadas pelos sangradores, parteiras e curandeiros nem sempre eram executadas de acordo com o que era delimitado pela Fisicatura mor. Era corriqueiro que uma parteira receitasse remédios, curandeiros atendessem pessoas quais os médicos não conseguiam curar.
Os profissionais citados anteriormente sofriaminfluências da sociedade pelas quais eles faziam parte. A distribuição das cartas de autorização eram feitas de acordo com as diferenças sociais e econômicas, afirmando as posições de maior e menor prestigio na sociedade. Geralmente, tais autorizações eram concedias a mulheres, escravos, forros e africanos.
Os sangradores exerciam um papel importante dentro de navios, o que fazia com que elesprecisassem da licença da Fisicatura mor, pois só eram aceitos se possuíssem tal documento. Eles eram muito importantes nesse ambiente, pois na maioria das vezes eram a única opção terapêutica para quem ficasse doente. Eles representavam também uma função importantíssima na maioria dos métodos terapêuticos, pois na medicina acadêmica da Europa Ocidental, sua prática fazia parte da terapêutica,incluindo ainda purgantes, sudoríficos, eméticos, dietas e evacuativos, tendo em vista que com esses conhecimentos teriam a possibilidade de excluir tudo que atrapalhasse o perfeito funcionamento do corpo.
Embora fossem de grande valia para a medicina acadêmica, o ofício de sangrador era de modo geral função dos grupos subalternos como anteriormente citado junto com outros ofícios. Eles representavamcerca de 85% dos pedidos de autorização da Fisicatura mor. O restante dos pedidos vinham de grupos sociais mais elevados, e que pediam a licença de sangrador por que era um requisito para que oficializava também a licença de cirurgião, já que para ser cirurgião precisava ser sangrador.

“Sarjar, lançar ventosas, e tirar dentes eram” consideradas atividades “mecânicas” e, por isso, próprias de...
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