Ensaio analítico sobre artigo nada na língua é por acaso: ciência e senso comum na educação em língua materna (artigo de marcos bagno publicado na revista presença pedagógica em setembro de 2006)

1462 palavras 6 páginas
Discutir sobre noção de erro em Língua Materna no Brasil é com certeza uma tarefa difícil, sobretudo no que concerne ao papel da escola. As ciências da linguagem afirmam que não existe erro na língua, já os gramáticos discordam totalmente. Quem tem razão, enfim? Aquilo que a escola define como sendo erro é baseado única e exclusivamente no que é estabelecido pela Gramática Normativa, definida como sendo um conjunto de regras que devem ser seguidas, porém a língua é um sistema de signos que permite a comunicação entre os indivíduos de uma comunidade lingüística, ou seja, desde que haja comunicação não há erro. A noção de erro em língua é originária do mundo ocidental juntamente com as primeiras descrições sistemáticas de uma língua e é desse período a formulação da Gramática Tradicional. Sabe-se que até mesmo os formuladores da Gramática Tradicional perceberam que a língua evolui e que dessa evolução nascem às variações linguísticas e foi a partir desse momento que surgiram as comparações entre língua escrita e língua falada, ou seja, a língua literária e a língua falada de forma espontânea. Da comparação entre as línguas é que passaram a considerar a língua que difere daquela falada pela elite como sendo defeituosa e as pressões sociais com toda certeza têm papel importante na transformação da língua, sobretudo na noção de erro. Sendo assim a noção de erro em língua materna é baseada na visão torpe e retrógrada de que toda evolução é prejudicial. Há que se levar em consideração o fato de que a linguística contemporânea tem se empenhado em mostrar que tudo o que acontece com a língua tem explicação (lógica), que sempre há uma motivação por trás daquilo que é visto como “erro”. Em suma a “noção de erro” que se tem conhecimento e que é tão difundida, seja nas escolas, nas ruas e na mídia é aquela cometida “somente” pela camada desprivilegiada da população, uma vez que o português correto, dito padrão alcança (não totalmente, é claro) a elite da sociedade,

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