Emília viotti da costa - da escravidão ao trabalho livre

Páginas: 5 (1037 palavras) Publicado: 16 de maio de 2011
Fundação Getúlio Vargas
CPDOC – História / Ciências Sociais
História do Brasil Monárquico
Professora Marina Machado
Aluno Thiago Maia

Da Escravidão ao Trabalho Livre

Emília Viotti da Costa começa o capítulo 8 de sua obra analisando e comparando as produções historiográficas sobre o tema da escravidão. Ela cita Stanley Elkins (A problem in American Institutional and IntellectualLife, 1959), autor norte-americano que acreditava que existiam diferenças significativas do sistema escravista estadunidense para o sistema brasileiro. Segundo ele, a escravidão nos Estados Unidos era cruel e exploradora, e no Brasil era benigna e paternalista. Esta visão aos poucos foi sendo contestada, e na década seguinte, estudiosos do assunto passaram a entender que a realidade não eraexatamente essa, e as teorias de Elkins acabaram sendo invertidas. Autores revisionistas passaram a atacar os “mitos” brasileiros (da democracia racial e do senhor benevolente) sobre escravidão e raça propostos por autores anteriores.
A autora se esforça para mostrar as divergências teóricas sobre o assunto, citando autores como Degler, Fogel, Engerman, Genovese, Elkins e Gilberto Freire,construindo um quadro comparativo entre suas teorias. Ao mesmo tempo, Emília Viotti da Costa não tira conclusões precipitadas, e dentro de sua argumentação, propõe perguntas metodológicas que dependem do ponto de vista do leitor para serem respondidas. Uma de suas maiores preocupações é indagar se a estrutura social inglesa, que em muito difere da portuguesa, poderia ser um fator a ser considerado quandoanalisamos as diferenças tanto na colonização do novo mundo quanto na escravidão e discriminação racial que foi instaurada nestas terras.
Apesar de ter feito diversas citações no início deste capítulo, a autora sugere que a história comparativa deve ser evitada, e que mesmo que o debate escravidão norte-americana x escravidão brasileira seja útil, seria mais proveitoso estudar aescravidão no Brasil do período colonial até o período moderno para entendermos melhor como funcionou este sistema, em uma sociedade que se modificou ao longo do tempo. O objetivo é construir conexões entre capitalismo e escravidão. “Um estudo da escravidão brasileira do século XVI até o século XIX tornará possível a análise, primeiro de como funcionou o sistema numa tradicional sociedade ‘aristocrática’ e,mais tarde, num moderno mundo burguês; segundo, de como tal sistema foi justificado num mundo religioso governado pela Providência e, mais tarde, num mundo secular governado pelos homens; terceiro, de como a escravidão se tornou uma parte vital do sistema colonial num mundo mercantil, pré-capitalista, pré-tecnológico, e como ela foi destruída num mundo em que o capitalismo industrial e arevolução tecnológica gradualmente solaparam as relações tradicionais”.
Seguindo este raciocínio, ela diverge de alguns historiadores que acreditam que a percepção que os brasileiros tinham dos negros foi herdada da Península Ibérica. Emília aponta que a escravidão nas fazendas brasileiras diferia da escravidão em Portugal e Espanha, onde os escravos eram empregados domésticos ou eram relegados àeconomia de subsistência. Sobre o tema cultural herdado dos portugueses, a autora apresenta críticas à burocracia portuguesa e à estrutura social estática hierarquizada, tão valorizada e incentivada pela Igreja católica. Aqui, ela novamente faz comparações entre Brasil e Estados Unidos, e entre católicos e protestantes. Segundo a autora, os ideais norte-americanos como vontade individual,responsabilidade, disciplina, ascetismo e liberdade individual faziam sentido para indivíduos que não encontravam lugar na ordem estamental e que lutavam para definir uma nova posição social, mas não faziam sentido para aqueles que viviam numa sociedade onde a minoria controlava os meios de produção e onde o poder político e o status social estavam institucionalizados.
Emília Viotti segue sua...
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