Educação

Páginas: 7 (1645 palavras) Publicado: 20 de outubro de 2011
RESENHAS

RBEP

DUBET, François et al. Injustices: l'experience des inégalités au travail. Paris: Eds. du Seuil, 2006. 499 p.
Candido Alberto Gomes A ciência não se expressa apenas em inglês, especialmente na filosofia e nas ciências humanas, mas também nas demais áreas do conhecimento. Verdades acacianas como esta costumam ser esquecidas, a exemplo do francês, que parece a caminho detornar-se uma língua morta no Brasil. Claro que é mais cômodo aprender só uma segunda língua (quando se aprende) e ignorar a produção intelectual publicada em outros idiomas. Não devemos esquecer o impacto que teve Tobias Barreto na história das idéias no Brasil quando leu a filosofia alemã no original. À falta de cursos, o moço pobre e negro comprou numa livraria um dicionário e gramática alemães eencomendou a primeira obra filosófica nessa língua, que, quando chegasse de navio, já deveria encontrá-lo em condições de leitura. Como resultado da inquietação, da capacidade e da verve desse expoente da Escola de Direito do Recife, as idéias no Brasil nunca mais foram as mesmas. A raridade crescente de pessoas conhecedoras de francês e outros idiomas pode levar a surpresas quando nos deparamos,pelo menos aqui, com a produção intelectual ilhada pelas barreiras lingüísticas, talvez a caminho de guetos em plena mundialização, guetos de grande diversidade criadora (a singularidade é burra, a pluralidade é inteligente). Este pode ser o caso do livro acima, de Dubet. Este sociólogo da educação abriu novos caminhos ao propor a sociologia da experiência. Esta tem em vista explicar mudanças dapós-modernidade, a partir do estilhaçamento da sociologia clássica. No caso da escola, a instituição edificadora da personalidade, criada para construir a

R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 88, n. 218, p. 211-214, jan./abr. 2007.

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Candido Alberto Gomes

coesão das sociedades nacionais (na França, a escola republicana e leiga), constituiu resposta à emergência da sociedadeurbano-industrial. Trata-se de solução da modernidade para problemas da modernidade. Com o torvelinho das mudanças e a estruturação das culturas juvenis, esta alternativa entra em crise e declínio (Dubet, 2002, 2003), o que gera a necessidade de descobrir novas formas de fazer a escola. Dubet (s/d.) propõe, então, construir a noção de experiência social, "noção esta que designa as condutas individuais ecoletivas dominadas pela heterogeneidade dos seus princípios constitutivos e pela atividade dos indivíduos que devem construir o sentido das suas práticas no próprio seio desta heterogeneidade". Trocando em miúdos, o tecido de relações e grupos sociais da escola ganhou uma trama ainda mais intrincada. Esta instituição é comparável a uma arena onde se defrontam culturas de, pelo menos, duas gerações. Se ostempos mudaram, não é mais possível conceber a socialização como um processo em que uma geração transmitia à outra a herança sociocultural. A escolarização para todos e a ampliação do arco de diversidades levam-nos a conceber a socialização como o edificar da experiência individual (subjetivação) dos alunos em interação tanto com a cultura escolar quanto com as culturas adolescentes/jovens. Osdiscentes socialmente privilegiados, mais próximos da cultura escolar, se integram à cultura juvenil desafiando a escola dentro de certos limites, enquanto os das classes populares tendem a ser marcados por experiências de fracasso, de modo que a sua integração aos colegas e às culturas juvenis se faz pela via da afirmação pessoal, com rebeldia aberta contra a escola – um exemplo é a cultura da rua,da briga, das atividades econômicas paralelas contra a cultura escolar. Assim, o engajamento do aluno é altamente condicionado à negociação. Como a Escola Nova já percebia no início do século passado, a escola precisa centrar-se no processo de aprendizagem e no aluno, concebido como sujeito da educação. Enquanto antes a liderança do professor era predominantemente tradicional e, sobretudo,...
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